A Justiça que temos

(A direita e os seus clarins na comunicação social andaram durante meses a querer convencer o País de que, com a Joana Marques Vidal, a nossa Justiça tinha dado passos de gigante na luta contra a corrupção. Nada mais falso. Os banqueiros que roubaram milhões e milhões continuam todos à solta e, mesmo os que já foram julgados, saíram ilesos.

No dia em que a Justiça prender o Ricardo Salgado – sendo o acto transmitido ou não em directo nas televisões, como ocorreu com Sócrates e Bruno de Carvalho -, aí sim, acreditarei que “terminou a impunidade”. Aqui fica o desafio para os senhores magistrados. 

Comentário da Estátua, 18/11/2018)

Ler todo o post seguindo o link acima. A notícia, no Diário de Notícias, a que diz respeito este comentário da Estátua de Sal: Banqueiros: muitas suspeitas, poucas condenações, nenhuma prisão

Animalidades

E então chegámos a isto: as pessoas amam os animais acima do seu semelhante. Não que se deva tratar mal os animais, muito pelo contrário. Mas o que se está a passar é uma autêntica incapacidade de estabelecer relações com o outro, o ser humano que está ou vive ao nosso lado, porque este exige contraditório e não faz o que a gente quer. O animal, não. Mesmo o animal selvagem dificilmente se vira contra um ser humano, a não ser acossado por este, ou desde que veja invadido o seu território. Devido ao abandono e maus tratos a animais, surgiram as associações de defesa dos animais, dando-lhes abrigo e alimentando-os. Nesse meio heterogéneo, há gente que acaba mais preocupada com os bichos do que com o seu semelhante. Desculpam-se dizendo que não acreditam mais nos outros: nos homens, nas mulheres, nas pessoas. Às vezes tomam atitudes imbecis, que só lhes fica mal. Acham-se donos da razão. E agora, a cereja no topo do bolo: começam a aparecer, um pouco por todo o lado, mascarados que para defender os animais prometem atacar pessoas. Quem se mascara tem medo, não quer ser reconhecido. Ou então sob a capa da defesa dos animais o que pretendem é estabelecer um certo caos, fomentar o medo nas pessoas, abrindo a porta aos salvadores do mundo. Usando até um acrónimo que remete para confrontos históricos recentes. A História ensina-nos que os salvadores do mundo nunca salvaram ninguém. Nem a eles próprios.

Os comboios e as estações da Linha de Cascais

Os comboios e as estações da Linha de Cascais são uma vergonha. Por fora as composições andam muitas vezes sujas, especialmente com graffitis, e as estações, bem as estações são outra vergonha ainda maior. As escadas rolantes não funcionam e as escadas normais têm muitas vezes degraus partidos (Alcântara-Mar, Paço de Arcos e. g.) um perigo para qualquer pessoa, sobretudo para pessoas idosas. As passagens subterrâneas são um nojo, com a agravante de muitas placas indicativas estarem grafitadas escondendo as informações (Alcântara-Mar, e. g.). Para não falar das máquinas de bilhetes, que nem sempre funcionam. Apenas as estações do Cais do Sodré e Cascais apresentam melhor aspecto, talvez por ser por elas que entram e saem os magotes de turistas que nos visitam todos os dias.

Há décadas que a situação na CP parece estar num estado vegetativo, de semi-abandono. E os comboios andam cheios de turistas e nacionais, pelo menos em horas de ponta, pelo que não se percebe este desleixo continuado.

Perguntas à procura de respostas

Já alguém sabe quem foi que roubou o material de Tancos e porque o fez?

Fala-se muito no diz-que-disse, etc. e tal, aponta-se o dedo, demitem-se responsáveis uns atrás dos outros, mas à pergunta que interessa (quem?) e às razões que suportam o acto (porquê?) não há quem responda. Comentaristas, jornalistas, carreiristas, todos dizem coisas, mas ninguém responde à pergunta. Não sabem? Sua Excelência disse que queria saber, o que só lhe fica bem. Há prognósticos quanto ao tempo que vai demorar a conhecer-se a resposta? Saber-se quem foi e porque o fez não está abrangido pelo segredo de justiça, pois não?

Joachim Rønneberg

Morreu ontem, aos 99 anos, Joachim Rønneberg, o herói norueguês cuja acção, em 1943, enquadrado num grupo de resistentes, conseguiu desarticular a produção de água pesada, pelos nazis, necessária ao fabrico da bomba atómica.
Deste episódio da II Grande Guerra foram realizados dois filmes e (julgo) publicados dois livros. O filme de 1965 foi protagonizado por Kirk Douglas. O livro que saiu pela mesma altura do filme tem por título «Os Heróis de Telemark», da autoria de Knut Haukelid, também ele um dos heróis de Telemark. A capa do livro é do pintor Lima de Freitas (de uma época em que os artistas faziam capas para livros), edição Livros do Brasil.

A estátua de Joachim Rønneberg foi erguida na cidade de Ålesund, Noruega. A fotografia ao lado do livro refere-se à fábrica onde era produzida a água pesada para o fabrico da bomba atómica, que Joachim, Haukelid e os companheiros desarticularam.

Eleições e sociedade

Não vou perder muito tempo a falar naquilo que enche as páginas dos jornais, hoje. O resultado das eleições no Brasil são o esperado. Pode definir-se com uma frase popular: “Quanto mais me bates, mais gosto de ti”. Mais tarde ou mais cedo, se não nos acautelarmos, até porque há sinais evidentes, o mesmo sucederá na Europa, com diferenças de pormenor. Os partidos tradicionais estão esgotados. Não têm estratégias para o século XXI. Toda a sua teoria vem do século XIX, com algumas alterações pontuais. Não conseguem adaptar-se às mudanças havidas num mundo globalizado, que os avanços da técnica e da informação alteraram completamente, até porque são constituídos, na sua maioria, por gente acima dos quarenta anos. A juventude desinteressou-se da política. Já não há ideologia nem ética, apenas dinheiro e interesses. Não acredita em políticos que a toda a hora surgem como corruptos e incapazes. E está focada na procura de emprego, na comunicação global e na sociedade do espectáculo. É mal paga e não tem muitas oportunidades de ver a vida alterar-se na situação política actual. Desconhecem o que foi o fascismo, as grandes guerras, a guerra de Espanha, etc., e procuram quem prometa que as coisas vão mudar, mesmo que a promessa seja mentirosa. Querem ordem e linhas de vida bem definidas. O mundo já passou por situações idênticas. A questão é que a juventude não viveu essas situações e está focada noutras questões. Quem ganha com isso é a extrema-direita, que espera a sua oportunidade, quando tudo à volta estiver queimado. Ou quase.

O teu nome é ninguém

Quando ninguém olha para ninguém e a ninguém dirige a palavra, porque vive encafuado na tela de um smartphone, ou anda a passear uma inexplicável arrogância, ou acha que pertence a uma casta superior; quando alguém fala com gatos e com cães, os passeia e acarinha, os trata a bolinhos e os veste e calça como se eles fossem gente, e ao ser humano trata com desprezo; quando damos os bons dias e do outro lado ninguém responde; quando um jovem não cede o lugar a um velho porque se acha com o mesmo direito que ele; quando o nosso ego não cabe dentro de nós e nos estoira na boca; quando os pais se demitem de educar os filhos e a escola se limita a debitar conceitos; tudo isto é…

RETROCESSO CIVILIZACIONAL

A burocracia mata

Depois de assistir a este filme é fácil constatar que a burocracia mata. Ela está aí à nossa espera todos os dias, ao lado do desprezo pelos mais necessitados, os mais velhos, os pobres, os enjeitados pelas forças do BEM: o Estado, Igrejas, políticos, papagaios das normas e da burocracia.

O filme passou dias atrás na RTP2.

Internet

A Internet é uma grande preocupação para quem pretende controlar o mundo. Espero que, hoje, o Parlamento Europeu não lhe dê uma machadada tão grande que acabemos por ter uma Internet-pãozinho-sem-sal. Só coisas tolas para atoleimar mais ainda quem só gosta de tolices. E na Internet já há muitas.