Coisas da silly season

Desde o 25 de Abril que os portugueses foram educadas no usufruto das amplas liberdades, mas esqueceram-se de educá-los nos amplos deveres. Foi hoje aprovado um diploma que multa o cidadão, entre 25 e 250€, que atirar beatas para o chão. Quem faz a vigilância, quem multa, onde está? À porta de diversos serviços públicos (e em muitos outros locais) há centenas de beatas atiradas para o chão. Vão lá colocar um polícia de plantão? No outro dia a Câmara colocou nos portões do Parque dos Poetas uns cartazes a proibir a entrada de cães nos jardins, mesmo que atrelados ao dono. As pessoas continuam a levar os bobis a dejectar e a urinar sobre a relva, onde depois brincam crianças. Onde está a vigilância, quem vai multar? Nas rotundas é proibido parar ou estacionar. Ao pé de mim, há uma rotunda de constante movimento, e há estacionamento permanente na mesma, às vezes mesmo defronte da entrada para as garagens. E todos os inquilinos têm garagens. Não me façam rir.

Turismo de massas

IMG_1587O navio de grande porte sulca o rio, vagarosamente, pelos canais abertos à navegação, até encontrar, mais à frente, as águas do Atlântico. Trata-se de um navio de cruzeiros, cheio de turistas, que demandaram Lisboa no dia anterior. Como este vêm outros quase todos os dias, nesta época do ano. Lá dentro é um hotel com diversões várias; ou melhor vários hotéis, pois há o muito caro e o razoável, consoante as companhias e o mercado com que trabalham. Estes navios podem transportar, consoante o tamanho, entre algumas centenas a vários milhares de passageiros, para além da tripulação. A cidade de Lisboa é um encanto para esses turistas que procuram sol, boa comida mediterrânea, monumentos que revelem o passado do país cuja História muitos deles desconhecem. A juntar a tudo isso há a beleza da subida do Tejo até Santa Apolónia, e depois a descida de volta ao oceano. Entretanto, com algum alvoroço, correm de bombordo a estibordo e da proa à ré, para tirarem fotografias que trocarão com amigos e familiares e com as quais vão enchendo as redes sociais. Depois de descobrirmos mundos, o mundo começa a descobrir-nos. Enfim, são modas, épocas, negócios. E divertimento para a classe média e média alta que nos procura.

A Europa de amarelo

Todos estes movimentos sociais sem direcção nem programa, que se manifestam nas ruas da Europa, e de um momento para o outro desaparecem, são rebuçados para a extrema-direita que neles se infiltra e baralha, prevendo lucros futuros. A culpa não é das pessoas insatisfeitas que vêm para a rua manifestar o seu repúdio por políticas concertadas na UE e lideradas pela Alemanha, que uma classe de burocratas bem pagos, em Bruxelas e Estrasburgo, aplicam com o sorriso de quem está bem na vida e os outros que se lixem. A culpa é dessa classe de burocratas que tudo fazem para manter o seu status quo; e de governos de partidos tradicionais sem ideias novas nem soluções para o futuro. Na sombra (e às claras) espreitam os novos fascismos. E PARA ESTES O FUTURO É SEMPRE IGUAL AO PASSADO.

Os sentineleses

A tribo mais isolada do resto mundo. Vivem isolados há 60.000 anos e são vulneráveis às doenças mais comuns. São extremamente agressivos, embora se pense que actualmente a população da ilha se cifre ente 15 e 150 indivíduos. Ainda agora desapareceu lá um missionário americano que tentou evangelizar a população. Ler a notícia completa aqui no Observador, sobre esta tribo de origem indiana que vive na ilha Sentinela do Norte, ao largo da Birmânia.

Delfim Guimarães

Delfim Guimarães (1872-1933) foi poeta e escritor entre muitas outras actividades, como a fundação da hoje conhecida Editora Guimarães, administrador do concelho de Ponte de Lima e representante de D. Aurora de Macedo na Roça Pinheira, na Ilha de S. Tomé, onde se deslocou em vários anos (a fotografia a p/b foi tirada em S. Tomé). Nasceu no Porto e faleceu na Amadora onde existe um jardim com o seu nome. O retrato é da autoria de Roque Gameiro, aguarelista que viveu na Amadora.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Delfim_Guimarães
https://www.cm-pontedelima.pt/frontoffice/pages/895?poi_id=133

Sopa dos Pobres

A Sopa dos Pobres existe há cem anos, desde a Primeira Grande Guerra. Foi durante o consulado de Sidónio Pais que ela foi instituída pelo jornal O Século com o apoio das paróquias, tal era a fome instalada no país. Cem anos depois continua a haver sopa e continuam a existir pobres que vão à Sopa dos Pobres (ou Sopa do Sidónio, como também ficou conhecida), embora em condições diferentes e com o nome emblemático de solidariedade. Mas se não houvesse esta necessidade ainda hoje, como no passado, já não era necessária a solidariedade e o voluntariado dos eleitos da nação.

Sim, a pobreza dá muito jeito. Sobretudo, à Direita e às Igrejas, porque ajuda a conferir significado às suas acções. Dá-se a sopa e uma manta aos pobres e o problema fica resolvido. A nossa consciência também. Fazer mais, tirar aos ricos e nivelar melhor a riqueza e a Justiça, esse problema é mais do pelouro do Robin dos Bosques.