Mais pobres

Os melhores de todos nós, de toda uma geração, estão a deixar-nos. Todos os dias desaparece um. Sinto que não deixam continuadores do seu humanismo, da sua vontade de lutar, da sua inteligência, do seu saber. Não deixam continuadores porque entre o passado, ainda recente, e o agora, houve uma revolução. Revolução que, para o bem e para o mal, de algum modo alterou as mentalidades, criou outras realidades e modos de estar. Somos agora mais filhos da virtualidade, menos adeptos do companheirismo, da vizinhança, da amizade peito a peito. Não me interpretem mal. Mas estamos desconsoladamente mais pobres.

Os medíocres

Todo o comentador de salão aproveita a pandemia para, mais ou menos subrepticiamente, atacar o governo e o SNS, pondo defeitos em tudo. Algumas coisas não correm bem? Ou não correram? É possível. Queria, no entanto, ver esses comentadores de salão no lugar daqueles que têm de gerir a saúde pública, o governo e o Estado, e ainda acorrer a uma presidência da Comissão Europeia. É sabido que todo o medíocre fala, critica, mas não se chega à frente para ajudar. O que ele quer é derrubar. Neste momento, perante esta situação que vivemos, todos os partidos de esquerda, incluindo e liderando a luta, o PS, deviam usar os meios legais ao seu alcance para combater este estado de coisas. O problema é que já não existe militância partidária, ou está reduzida ao mínimo. A política transformou-se num meio de obter um cargo próximo da manjedoura pública, coisa em que nem sequer agora somos originais, pois sempre foi essa a nossa postura.

SNS

É um orgulho ser português na União Europeia e ter o SNS que temos e que alguns desejam destruir. Marta Temido & C.ª merecem a nossa admiração. Outros gabarolas e fabricantes de fake news nunca aguentariam nem metade do que este pessoal médico, enfermeiros e auxiliares têm aguentado ao longo deste ano para combater uma pandemia para a qual ninguém estava preparado. Parabéns! E vamos todos tomar a vacina para que possamos voltar, tão logo tenhamos defesas imunitárias suficientes, à nossa vida “normal”.

Covid-19

Se o Covid-19 não nos matar, as medidas para o conter vão acabar por nos endoidecer, por fazer de nós seres controlados pelo medo, o stress, a ansiedade.
Tão depressa há confinamento como desconfinamento. Ora se diz que são necessárias máscaras na rua, ora se lê que não faz sentido, porque o vírus não anda no ar. E já agora expliquem-me qual a necessidade de todos os dias nos massacrarem com o número de mortes e de infetados pelo covid-19? E os restantes doentes e mortos? Não falam deles? Isto é algum jogo, algum concurso? Os jornais fazem pandã com os políticos, encharcando-nos com notícias repetidas e pouco esclarecedores. Parem! Talvez fosse melhor gastarem orçamento colocando placards em sítios estratégicos com as principais medidas a ter em conta pelo cidadão para escapar ao contágio. Tenham paciência, senhores políticos que gerem a pandemia e jornalistas que a divulgam. É necessário bom senso.

Casa/descasa

O amor hoje em dia começa na relação sexual e não no conhecimento mútuo. Há quem confunda amor com sexo. Vão à procura de amor pelo lado do sexo. Depois casam sem se conhecerem, nem sequer sexualmente. A seguir é o casa-descasa. Se há filhos estes sofrem.

Os pirilampos ou vaga-lumes

pirilampoSegundo se pode ler numa publicação do Greensavers, os pirilampos estão em riscos de desaparecer.  São vários os motivos que a tal podem levar, não estando nenhum deles relacionados com a nossa EDP, a maior fornecedora de energia em Portugal 🙂 . As razões para a sua provável extinção têm a ver com o seu habitat, dado serem muito sensíveis à poluição luminosa e a mudanças de temperatura e de vegetação. Os pesticidas, claro, e a ocupação humana em locais que dantes lhes eram naturais, também contribuem para esse futuro ingrato para esta espécie de insectos.
Lembro-me, em criança, do fascínio que estes insectos exerciam sobre mim e os meus companheiros de brincadeira. A beleza do que é natural vai-se perdendo. Os mais jovens que vivem nas cidades perderam, ou nem chegam a conhecer, essa realidade dos campos e da vida próxima da natureza, o que é lamentável. Tal como aquela história da criança cuja única galinha que vira na sua vida era a dos pacotes de caldos de galinha de uma companhia alemã de alimentos.

Coisas da silly season

Desde o 25 de Abril que os portugueses foram educadas no usufruto das amplas liberdades, mas esqueceram-se de educá-los nos amplos deveres. Foi hoje aprovado um diploma que multa o cidadão, entre 25 e 250€, que atirar beatas para o chão. Quem faz a vigilância, quem multa, onde está? À porta de diversos serviços públicos (e em muitos outros locais) há centenas de beatas atiradas para o chão. Vão lá colocar um polícia de plantão? No outro dia a Câmara colocou nos portões do Parque dos Poetas uns cartazes a proibir a entrada de cães nos jardins, mesmo que atrelados ao dono. As pessoas continuam a levar os bobis a dejectar e a urinar sobre a relva, onde depois brincam crianças. Onde está a vigilância, quem vai multar? Nas rotundas é proibido parar ou estacionar. Ao pé de mim, há uma rotunda de constante movimento, e há estacionamento permanente na mesma, às vezes mesmo defronte da entrada para as garagens. E todos os inquilinos têm garagens. Não me façam rir.

Turismo de massas

IMG_1587O navio de grande porte sulca o rio, vagarosamente, pelos canais abertos à navegação, até encontrar, mais à frente, as águas do Atlântico. Trata-se de um navio de cruzeiros, cheio de turistas, que demandaram Lisboa no dia anterior. Como este vêm outros quase todos os dias, nesta época do ano. Lá dentro é um hotel com diversões várias; ou melhor vários hotéis, pois há o muito caro e o razoável, consoante as companhias e o mercado com que trabalham. Estes navios podem transportar, consoante o tamanho, entre algumas centenas a vários milhares de passageiros, para além da tripulação. A cidade de Lisboa é um encanto para esses turistas que procuram sol, boa comida mediterrânea, monumentos que revelem o passado do país cuja História muitos deles desconhecem. A juntar a tudo isso há a beleza da subida do Tejo até Santa Apolónia, e depois a descida de volta ao oceano. Entretanto, com algum alvoroço, correm de bombordo a estibordo e da proa à ré, para tirarem fotografias que trocarão com amigos e familiares e com as quais vão enchendo as redes sociais. Depois de descobrirmos mundos, o mundo começa a descobrir-nos. Enfim, são modas, épocas, negócios. E divertimento para a classe média e média alta que nos procura.

A Europa de amarelo

Todos estes movimentos sociais sem direcção nem programa, que se manifestam nas ruas da Europa, e de um momento para o outro desaparecem, são rebuçados para a extrema-direita que neles se infiltra e baralha, prevendo lucros futuros. A culpa não é das pessoas insatisfeitas que vêm para a rua manifestar o seu repúdio por políticas concertadas na UE e lideradas pela Alemanha, que uma classe de burocratas bem pagos, em Bruxelas e Estrasburgo, aplicam com o sorriso de quem está bem na vida e os outros que se lixem. A culpa é dessa classe de burocratas que tudo fazem para manter o seu status quo; e de governos de partidos tradicionais sem ideias novas nem soluções para o futuro. Na sombra (e às claras) espreitam os novos fascismos. E PARA ESTES O FUTURO É SEMPRE IGUAL AO PASSADO.

Os sentineleses

A tribo mais isolada do resto mundo. Vivem isolados há 60.000 anos e são vulneráveis às doenças mais comuns. São extremamente agressivos, embora se pense que actualmente a população da ilha se cifre ente 15 e 150 indivíduos. Ainda agora desapareceu lá um missionário americano que tentou evangelizar a população. Ler a notícia completa aqui no Observador, sobre esta tribo de origem indiana que vive na ilha Sentinela do Norte, ao largo da Birmânia.