Eles andam por aí

A maioria dos jovens não se interessa pelo que foi o 25 de Abril. Pela transformação de uma sociedade totalitária numa sociedade livre, democrática. Já nasceram em liberdade, pelo que, em geral, não reflectem muito sobre o passado que não viveram. Interessam-se bastante pelos problemas do clima – o que é louvável – embora os Donos Disto Tudo continuem a levar o barco no rumo que lhes interessa. Com a pandemia os problemas sociais e económicos agravaram-se. Claro, os DDT passam incólumes por entre a borrasca e aumentam as suas fortunas. Em Portugal (e não só), começam a reaparecer as famílias de ideologia fascista pretendendo aproveitar a maré para voltar a uma sociedade patrulhada pelo medo. Não podemos facilitar. Não há lugar na democracia para quem não é democrata. Os DDT e os seus homens de mão sabem fingir que são o que nem em sonhos admitem ser. Redobremos a vigilância para continuarmos a ter liberdade e democracia.

Belém

Ana Gomes desafiou António Costa no que respeita ao PS e às presidenciais, em Janeiro próximo. Mas o primeiro-ministro já tem o seu candidato: Marcelo Rebelo de Sousa, beijos e abraços. É claro que ninguém sabe como se posicionará MRS no seu segundo mandato. Certamente diminuirá os beijos e abraços, não só por causa da pandemia, mas sobretudo para ajudar o seu partido. Rui Rio é um homem honesto, de bom senso, mas sem perfil de liderança, e nenhum carisma. Quanto a Ana Gomes é uma política aguerrida a quem salta a tampa de vez em quando. Isso pode ser bom ou pode ser mau. Depende do que estiver a ferver na panela.

A democracia

A democracia não é extensível a extremismos. O mesmo é dizer: a democracia não é paracropped-eu-e-o-bolo todos. A democracia não pode pactuar com quem se serve dela para impor regimes totalitários, ou musculados, de pensamento único, e depois se perpetuar no poder. Ora esta situação começa a tomar aspetos perigosos. A permissividade de democratas frouxos, que apenas pensam em termos do politicamente correto e dos seus interesses pessoais, mesquinhos, de sobrevivência política, abre as portas ao cavalo de Tróia que invadirá a democracia para assim a transformar em ditadura. Todos os alertas não serão demais. Todas as ações conducentes a barrar o extremismo são atos de defesa da democracia. Para que todos possamos respirar, falar e viver sem a sombra do medo a perseguir-nos, a matar-nos, se preciso for. Não é para amanhã. É para hoje.

António Garcia Barreto

O martelo de Thor*

* José Pacheco Pereira no “Público” de 20/06/2020
“Eu gosto muito do meu país, mas não tenho muitas ilusões sobre ele. É um país atrasado, pouco desenvolvido, sem massa crítica, pouco culto, sem grande qualificação da mão-de-obra, muito dependente de vagas de superficialidade, onde a maioria das pessoas trabalha duramente para não receber sequer o mínimo vital, sem vida cívica autónoma do Estado, com uma economia débil, desindustrializado, com uma agricultura desigual, pouco cosmopolita, com muitos aproveitadores e alguns bandidos, mas aí como os outros.”
(continuar a leitura seguindo o link do WordPress)

Brexit

BrexitAdeus Reino Unido, agora desunido da Europa, mas com certeza a unir-se aos States de Mr. Trump. Só espero que a ilha não vá para o brejo e se afunde. The British Empire há muito que ruiu. E com Mr. Trump a dirigir o mundo pelo Twitter e a Casa Real Britânica a braços com sucessivas crises de afirmação monárquica, o futuro não se adivinha fácil. Mas nós, que gostamos dos britânicos, dos seus livros, filmes e do seu teatro, dos seus castelos e do verde dos seus prados, sem esquecer o chá e os scones, cá estaremos de braços abertos para os receber de volta.
(Cartoon de André Carrilho)

 

Democracia não é bandalheira

Os médicos são alvo de agressões nos hospitais; os professores e os auxiliares nas escolas. Isto é o Texas dos fora-da-lei? Não há nenhuma autoridade capaz de pôr cobro a isto? E os ministérios respectivos, o que dizem sobre o assunto? E o que fazem? E o senhor primeiro-ministro o que tem a dizer? E os senhores deputados? Há mais vida para além do OE. Ou será que estamos na mão de minorias intocáveis que vivem à sombra do politicamente correto? Não quero pensar que ande tudo em roda livre. Democracia não é bandalheira.

A política tradicional não tem futuro

O discurso político tradicional está completamente estafado, gasto, inoperante. Os políticos, os sindicalistas, não conseguem dar a volta ao texto. Preferem dar a volta ao cidadão fazendo-o acreditar que não há outra maneira de fazer as coisas, que estão no caminho certo. Estafam o tempo em areópagos onde aquilo que deviam discutir, e os resultados a que deviam chegar, se transfere para nova oportunidade, novo conclave. E assim tudo se adia. Entretanto, os bispos dos vários dogmas e interesses vão se infiltrando no quotidiano das pessoas, de braço dado com os vários lóbies que se instalam propagando a única verdade: a dos seus interesses particulares. O mundo continua à espera de resoluções e atuações que exigem prontidão imediata. Mas dificilmente chegaremos lá a tempo de recuperarmos a sanidade do planeta em que vivemos com os políticos e as políticas tradicionais.