A política tradicional não tem futuro

O discurso político tradicional está completamente estafado, gasto, inoperante. Os políticos, os sindicalistas, não conseguem dar a volta ao texto. Preferem dar a volta ao cidadão fazendo-o acreditar que não há outra maneira de fazer as coisas, que estão no caminho certo. Estafam o tempo em areópagos onde aquilo que deviam discutir, e os resultados a que deviam chegar, se transfere para nova oportunidade, novo conclave. E assim tudo se adia. Entretanto, os bispos dos vários dogmas e interesses vão se infiltrando no quotidiano das pessoas, de braço dado com os vários lóbies que se instalam propagando a única verdade: a dos seus interesses particulares. O mundo continua à espera de resoluções e atuações que exigem prontidão imediata. Mas dificilmente chegaremos lá a tempo de recuperarmos a sanidade do planeta em que vivemos com os políticos e as políticas tradicionais.

A(ventura)reirismos

Escancarar a porta da democracia só serve para deixar entrar a ditadura. E ela está aí a espreitar, à procura de oportunidade, vestida de nova democracia ungida pelos Saudosistas, a cheirar a mofo e perigosa. Exige-se que os políticos democratas abram os olhos e atuem em conformidade antes que seja tarde. Não há que ter medo de proibir e enfrentar. Nem há que contemporizar. Há que ser firme, denunciar, e dar-lhes com a porta na cara. Por outro lado, há que por em prática políticas corretas que favoreçam os mais desprotegidos e reforcem a classe média, ensino adequado e útil, técnica e culturalmente, emprego com salários justos, acesso à saúde com celeridade no atendimento e resultados. Só assim se reforçará a democracia. Ser amigo do nosso inimigo, além de ingenuidade, demonstra conluio com as forças fascizantes.

Política caseira

Rui Rio é um líder de papelão; Assunção Cristas uma boneca de porcelana; Catarina Martins uma comediante; Jerónimo de Sousa um velho do Restelo; António Costa é o homem dos sete instrumentos. Os outros andam à boleia.

Coisas da silly season

Desde o 25 de Abril que os portugueses foram educadas no usufruto das amplas liberdades, mas esqueceram-se de educá-los nos amplos deveres. Foi hoje aprovado um diploma que multa o cidadão, entre 25 e 250€, que atirar beatas para o chão. Quem faz a vigilância, quem multa, onde está? À porta de diversos serviços públicos (e em muitos outros locais) há centenas de beatas atiradas para o chão. Vão lá colocar um polícia de plantão? No outro dia a Câmara colocou nos portões do Parque dos Poetas uns cartazes a proibir a entrada de cães nos jardins, mesmo que atrelados ao dono. As pessoas continuam a levar os bobis a dejectar e a urinar sobre a relva, onde depois brincam crianças. Onde está a vigilância, quem vai multar? Nas rotundas é proibido parar ou estacionar. Ao pé de mim, há uma rotunda de constante movimento, e há estacionamento permanente na mesma, às vezes mesmo defronte da entrada para as garagens. E todos os inquilinos têm garagens. Não me façam rir.

Vem aí a politicazinha

Penso que António Costa se precipitou ao fazer declarações que deixavam entender o fim da geringonça se os resultados das eleições legislativas confirmassem o das europeias. O Bloco de Esquerda já começou a falar na necessidade de discussão na AR da questão das PPP, com referência ao que a comunicação social diz ocorrer no Hospital de Vila Franca de Xira, o que parece não corresponder à verdade. O PCP, através dos sindicatos por si controlados e depois de recuperar da queda das eleições europeias, não deixará de enviar para a rua o seu povo indignado sempre que achar conveniente para a sua estratégia política. À direita do PS, os indignados com a derrota dos seus partidos nas últimas eleições descobrirão fórmulas de desestabilização política inovadoras, semelhantes àquela conhecida por Acção sobre Rodas que o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais cancelou de imediato. Tudo pode servir de pretexto para atacar o Governo neste período até às eleições legislativas. António Costa e o PS têm de estar atentos com os amigos da onça (da gering onça) e com uma direita à procura de si própria, apanhando os cacos do desastre eleitoral e arremessando-os ao Governo. Vem aí a politicazinha.

Eleições europeias

Foi uma banhada. Uma banhada do PS e uma banhada da abstenção. É indesculpável a posição daqueles que não foram votar (cerca de 70%). Estão zangados com os políticos e com a política? Mais uma razão para terem ido votar, o único meio, em democracia, de alterar a situação. Estão desiludidos porque durante esta campanha eleitoral os políticos não falaram da Europa, preferindo a política caseira e lavar a roupa suja entre eles? Outra razão para terem ido votar. As opções eram muitas e o alheamento não é solução. Vêm aí novas e diferentes eleições. Ponderem na obrigação cívica de ir votar para mudar o que acham mal. É um acto de cidadania de que não nos podemos alhear e muito menos abster.