O Covid-19 e o futuro

O Covid-19 vai ficar na História não só como uma pandemia mais ou menos devastadora de vidas humanas, mas como uma espécie de III Guerra Mundial que destruiu a economia, arrasou projetos, empobreceu ainda mais os mais pobres, roubando-lhes o direito ao pleno emprego, a uma vida singela, mas feliz, enquanto protegeu gente corrupta, que sempre escapa ou prospera nestas épocas de crise (e já houve tantas e tantas). Não existirão políticos com uma visão capaz de perceber e aproveitar este tempo de pandemia para estudar/imaginar novos futuros, mais perto do ser humano, das suas necessidades e direitos, mais perto da Natureza – uma vivência menos frívola, fútil. Porque os políticos estarão sempre nas mãos dos poderosos e dos oportunistas. E não sendo todos iguais, os menos iguais não terão força para derrotar os mais iguais. Aguardem pelo novo futuro, que poderá começar já daqui a dois ou três meses. Quanto mais tempo demorar a quebrar a pandemia mais difícil será esse futuro. Nós, portugueses, que começávamos a ver uma luz ao fundo do túnel, que futuro nos estará guardado? Possivelmente, a UE levará um arrombo. A China continuará a crescer porque os gestores das riquezas entenderam há muito que sendo lá a mão-de-obra mais barata era lá que o desenvolvimento das indústrias periféricas, mas não só, se devia desenrolar. A ver vamos.

Comboio Alfa Pendular

Tenho viajado com alguma frequência, nos últimos tempos, no comboio Alfa Pendular,índice tanto para o Porto, como para Aveiro ou Coimbra. É uma viagem muito mais descansada, e muito mais em conta, economicamente falando, que fazer quilómetros de autoestrada, marcar passo em filas de trânsito nas grandes cidades, e andar à procura de estacionamento. O Alfa Pendular cumpre normalmente os horários, sendo possível viajar de Faro a Braga, em classe conforto ou turística (1.ª e 2.ª classes). Servem pequenos almoços pagos e/ou bebidas e sandes e bolos durante o trajeto, havendo ainda uma carruagem bar entre a classe conforto e a turística. O pessoal é simpático e as viagens são confortáveis e os lugares apetrechados com tomadas para ligar computadores portáteis, carregar telemóveis, e banqueta de apoio para o portátil ou para escrever. Distribuem ainda, gratuitamente, jornais e revistas. As pessoas com mais de 65 anos têm 50% de desconto. Os comboios andam quase sempre cheios, sendo rápidos (ou seja, não param em estações) em grande parte do percurso. O que já devia ter sido resolvido pela CP, ou pelas Infraestruturas de Portugal, era a velocidade do comboio poder manter-se constante e não, como sucede, ter percursos em que chega a atingir 240, 220, 190 km/hora e outros em que anda na média dos 70, 90 km/hora, ou menos, sendo que algumas vezes quase para devido a seguir na mesma linha um comboio mais lento, urbano ou regional, até que o mesmo alcance uma estação com várias vias. Boa viagem.

2020 está à porta

Espero que o Ano que aí vem, por sinal bissexto, nos faça melhores. Nos limpe os egos da soberba que os afeta. Sejamos mais humildes e capazes de confraternizar com os nossos iguais, mais sérios nas coisas sérias, não enjeitando nem o diálogo nem o sorriso. Amar sem dar poucochinho, viver pensando também nos outros e na forma de os auxiliar. Ser justos e cordiais procurando a nossa felicidade e a dos que nos rodeiam. Estar mais atentos às alterações climáticas concorrendo para ter um planeta mais saudável, à medida humana. BOM ANO 2020.

(agb)

Natal?

NatalA magia do Pai Natal já foi para as urtigas há muito tempo. Mas cada ano que passa ela fica menos mágica e mais comercial e chata. Em vez de Pai Natal há um Pai Negociante que nos impinge a toda a hora as coisas mais absurdas. Esse Pai Negociante leva as pessoas a gastarem o dinheiro que muitas vezes lhes faz falta para necessidades bem mais urgentes, só para manter a tradição. Essa ideia do Pai Natal que vem dos gregos, de S. Nicolau, passou pelos EUA e Canadá e transformou-se em negócio. As pessoas carregam pilhas de compras, muitas vezes perfeitamente inúteis, que no dia seguinte vão para o lixo. Não, não gosto deste tipo de NATAL.

A política tradicional não tem futuro

O discurso político tradicional está completamente estafado, gasto, inoperante. Os políticos, os sindicalistas, não conseguem dar a volta ao texto. Preferem dar a volta ao cidadão fazendo-o acreditar que não há outra maneira de fazer as coisas, que estão no caminho certo. Estafam o tempo em areópagos onde aquilo que deviam discutir, e os resultados a que deviam chegar, se transfere para nova oportunidade, novo conclave. E assim tudo se adia. Entretanto, os bispos dos vários dogmas e interesses vão se infiltrando no quotidiano das pessoas, de braço dado com os vários lóbies que se instalam propagando a única verdade: a dos seus interesses particulares. O mundo continua à espera de resoluções e atuações que exigem prontidão imediata. Mas dificilmente chegaremos lá a tempo de recuperarmos a sanidade do planeta em que vivemos com os políticos e as políticas tradicionais.

A(ventura)reirismos

Escancarar a porta da democracia só serve para deixar entrar a ditadura. E ela está aí a espreitar, à procura de oportunidade, vestida de nova democracia ungida pelos Saudosistas, a cheirar a mofo e perigosa. Exige-se que os políticos democratas abram os olhos e atuem em conformidade antes que seja tarde. Não há que ter medo de proibir e enfrentar. Nem há que contemporizar. Há que ser firme, denunciar, e dar-lhes com a porta na cara. Por outro lado, há que por em prática políticas corretas que favoreçam os mais desprotegidos e reforcem a classe média, ensino adequado e útil, técnica e culturalmente, emprego com salários justos, acesso à saúde com celeridade no atendimento e resultados. Só assim se reforçará a democracia. Ser amigo do nosso inimigo, além de ingenuidade, demonstra conluio com as forças fascizantes.

Arturo Pérez-Reverte 

(Nota: estas citações foram retiradas da revista Visão de 18/09/2016) 

Arturo Pérez-Reverte, o escritor espanhol mais lido no mundo, acredita que a humanidade “já viveu a sua melhor época”. À VISÃO, fala do seu novo livro, Homens Bons, e carrega no pessimismo: “O mundo é um sítio perigoso, cheio de filhos da puta”

(…)

Sim, claro. O mundo é um sítio perigoso, cheio de filhos da puta. O terrível é que o Ocidente e tudo o que custou tanto a construir ao longo dos séculos, liberdades e direitos, com os bons e nobres valores de que falam os protagonistas do meu romance, está a morrer, a desaparecer… E não voltará. Os jovens ignoram-no. Nem se ensina nas escolas…

(…)

É uma cultura de facilidade. Temos medo de traumatizar os meninos com a Ilíada, ou com a História… O objetivo principal passou a ser não haver insucesso escolar, e nivela-se tudo muito por baixo. Os sistemas de educação no mundo ocidental, hoje, são feitos para normalizar e desprezam os mais inteligentes. Não se valorizam nada as elites, a própria ideia de elite está mal vista, tem muito má imprensa… Veja-se a mediocridade na política espanhola, ou europeia, ou portuguesa. Onde está um Churchill, um Adenauer, um Kennedy? Logo na escola olha-se de lado para um indivíduo singular, brilhante, destacado. Torna-se suspeito e parece que é preciso igualizar todos. Mas nós não somos todos iguais!

Fonte: Visão | “Estamos desorientados. Mas tenho 65 anos, já não quero saber”