A vacinação em Oeiras

Não posso deixar de enaltecer o trabalho da CM de Oeiras dirigida por Isaltino de Morais, a que não é alheio o seu empenhamento direto, pela forma como conseguiu no nosso concelho centralizar a vacinação para o Covid-19, em Carnaxide, no Pavilhão Carlos Queiroz, organizando as ações de modo a que tudo corra de forma rápida, ordeira e simpática. A simpatia vem de todos os presentes, enfermeiros e auxiliares, em particular do grupo de jovens que apoiam e asseguram o bem-estar dos mais velhos naquele local. E, no final, quem acabou de tomar a primeira dose da vacina ainda leva uma simpática oferta.

SNS

É um orgulho ser português na União Europeia e ter o SNS que temos e que alguns desejam destruir. Marta Temido & C.ª merecem a nossa admiração. Outros gabarolas e fabricantes de fake news nunca aguentariam nem metade do que este pessoal médico, enfermeiros e auxiliares têm aguentado ao longo deste ano para combater uma pandemia para a qual ninguém estava preparado. Parabéns! E vamos todos tomar a vacina para que possamos voltar, tão logo tenhamos defesas imunitárias suficientes, à nossa vida “normal”.

Os dias que passam

Pouca gente a trabalhar. Os outros ou estão em quarentena, ou em greve (caso CTT), ou gozam uma tolerância de ponto oferecida pelo Governo. Tudo para afundar o Covid. Mas se não afundam o Covid, afundam a economia nacional. Governo e oposição, com subtis diferenças, concorrem para o nosso bem-estar até que a dívida pública chegue aos calcanhares do mundo. Porque nisto, como em outras coisas mais, nós não temos ideias: copiamos a dos outros. Se eles falharem, o mal fica repartido e quase não se nota. Nos outros. Em nós fará uma diferença catastrófica de que só teremos notícia quando mudar este governo e vier outro pior. Melhor não virá. Já foi testado nas últimas décadas. Pior seremos sempre capazes de fazer. Nessa altura esquecemos tudo e abrimos a porta ao turismo, a ver se nos salva.

A fava ou o brinde?

Ainda não sabemos se no bolo-rei americano sai a fava ou o brinde. De algum modo, todos nós, ocidentais, queiramos ou não, seremos influenciados por aquele resultado. Para a fava já não tenho dentes, embora os meus dentes sejam saudáveis. Prefiro o brinde, claro. Mas o brinde não me parece muito consistente. É muito capaz de desempacotar num futuro próximo. Valha-nos a dama de companhia, forte apoio, socialista, ao que dizem os comentadores residentes. Entra o brinde, sai a fava? Acredito que sim. Sou um homem de fé e de milagres.

Essa coisa estranha da responsabilidade individual

A ideia de que existe uma coisa chamada “responsabilidade individual” não é muito popular. Por muitas razões, educação, formas actuais de sociabilidade, atrasos económicos e sociais, culturas de desresponsabilização, paternalismo estatal, falhanço familiar, desagregação dos saberes e das profissões, pobreza, crise das mediações, o empobrecimento do discurso público e das narrativas cívicas e políticas, a ignorância agressiva das redes sociais, o ascenso de egoísmo gerado pelas ideias de “sucesso”, protagonismo, e pelo “yuppismo”, tudo leva a que a ideia de responsabilidade esteja em recuo. Não é a única a recuar, vai a par com a crise do valor da privacidade, com uma simples noção de honestidade, com aquilo a que se costumava chamar “princípios”.

(…)

Pacheco Pereira (https://estatuadesal.com/2020/11/01/essa-coisa-estranha-da-responsabilidade-individual/)

Covid-19 e estupidez

Barrada a entrada de portugueses em dez países europeus, porque o índice de infectados pelo Covid-19 está acima de 20-25/100.000 habitantes. O governo assobia para o lado e diz que vai responder a esses países. Acho bem. Mas não seria melhor atentar nesses grupos que se juntam para festanças de onde depois saem infectados, de empresas que têm pessoal a trabalhar sem as condições de segurança (a televisão tem passado essas situações), da malta da construção civil que trabalha lado a lado sem usarem máscara (aqui à minha frente há um prédio com trabalhadores nessas condições e conheço outros), de abrirem as portas aos negócios cedo demais, de receberem a Web Summit, a Champions? Ontem morreu um médico com Covid-19, após quarenta e tal dias nos cuidados intensivos, médico de 68 anos e sem doenças. Começámos bem, mas estamos a ir mal, com mais casos de infectados, porque começam a desaparecer as campanhas de cuidados a ter face à pandemia e porque há pessoas suficientemente estúpidas que se estão borrifando para eles próprios e para os outros. Quem controla estas situações?

A culpa é das estátuas

Há por aí talibãs e a gente não sabia. Mas já sabíamos que a idiotice é uma doença que afeta aqueles que se julgam inteligentes e donos da verdade. O mundo está cada vez mais básico e os humanos a regredir para estádios animalescos, ao mesmo tempo que a tecnologia se desenvolve aceleradamente. Parece contraditório, mas se calhar não é. O espetro da Inquisição, por seu lado, é como um vírus que se julgava extinto e afinal continuava apenas inerte, à espera de oportunidade para atacar.