Ali Duaji

Périplo pelos Bares do Mediterrâneo e Outras HistóriasPériplo pelos Bares do Mediterrâneo e Outras Histórias by Ali Duaji

My rating: 3 of 5 stars

Um livro um tanto decepcionante depois da publicidade do editor. É verdade que quando escreveu o livro, Ali Duaji não se considerava um escritor. Algumas vezes iniciava um estória que depois não acabava. O livro retrata uma viagem de uns amigos por vários cidades em torno do Mar Branco (Mediterrâneo) e a escrita dá-nos a ideia de um diário escrito sem grande atenção no decurso dessa viagem. Resumindo: não é um mau livro, mas não consigo dar-lhe mais de três estrelas. E já é boa vontade. Três estrelas pelo facto de “hoje em dia (ser) considerado o pai da novela tunisina.” Preciso de ler outras obras do autor.

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A história imortal

A História ImortalA História Imortal by Isak Dinesen

My rating: 3 of 5 stars

 Uma novela muito bem escrita, com algo de misterioso, que apela à leitura. Personagens bem desenhadas, um chinês de Cantão que nos traz reminiscências de uma China do século XIX, num ambiente de portos e marinheiros. A estória dentro da novela não é assim tão encantadora. É como um filme com atores de primeiro plano que não nos consegue entusiasmar. Antes “África Minha” com a sua força telúrica num mundo em mudança.

O velho e o mar

O Velho e o MarO Velho e o Mar by Ernest Hemingway

My rating: 5 of 5 stars

Uma pequena obra-prima que nos leva a refletir sobre a grandeza e força do ser humano, da amizade entre um velho pescador e um rapaz que aprende as artes da pesca. Também nos ensina que a sorte e o saber podem dar-nos tudo por meio do nosso esforço, e logo a seguir tirar-nos, sem que isso nos deva levar a desistir. Uma obra-prima em que, curiosamente, não entra uma personagem feminina, a não ser na última página e é completamente secundária: uma turista que acompanha o marido.

Notas de um velho nojento

Notas de Um Velho NojentoNotas de Um Velho Nojento by Charles Bukowski

My rating: 4 of 5 stars

A escrita de Charles Bukowski está quase toda ela intimamente ligada ao social, ao estrato mais baixo dos trabalhadores americanos, dos vagabundos, e à vida do próprio Bukowski, ele próprio um indivíduo que viveu a vida balançando entre a marginalidade e a vontade de se integrar na sociedade, sem se esforçar muito por isso. Poeta, apostador de corridas de cavalos, bebedor inveterado, obcecado por sexo, os seus romances são quase todos autobiográficos, ou com bastante de si próprio e do seu alter ego Henry. Los Angeles é o seu espaço vivencial. “Notas de um velho nojento” é um pouco disso tudo. Não tem, que me lembre, quem imite a sua escrita, porque ela lhe sai muito do corpo, da sua vivência. Às vezes, a crueza linguagem e certas passagens dos seus livros, lembram momentos da obra do brasileiro Rubem Fonseca, mas este é um intelectual observador da sociedade brasileira, sobretudo do Rio de Janeiro.

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A balada de Adam Henry

A Balada de Adam HenryA Balada de Adam Henry by Ian McEwan

My rating: 3 of 5 stars

Romance muito bem escrito, embora o tema pudesse servir de argumento de uma vulgar telenovela. Não estou a dizer que a escrita, a capacidade de prender o leitor não seja grande. No fundo, numa comparação apressada, é como se fosse dado a um grande ator representar um papel menor, que ficaria melhor em alguém menos talentoso, ou com menos experiência. Não deixa, no entanto, de se estar em presença de um bom romance. Mas não mais do que isso.

O Sentido do Fim

O Sentido do FimO Sentido do Fim by Julian Barnes

My rating: 4 of 5 stars

Julian Barnes conta-nos uma história onde, afinal, há duas histórias: uma que só é completamente revelada no final, que existiu paralelamente à outra, mas submersa por esta. Um romance bem escrito com uma leveza de linguagem apenas aparente. “O Sentido do Fim é assim a história de um homem que se confronta com a mutabilidade do seu passado”. (da contracapa)

O Atelier de Noite

AnaTeresaPereiraUm trabalho literário excelente, com matéria repescada de muitas leituras, policiais em grande medida, mas que não se encaixa naquilo que eu gosto de ler num livro. É a matriz de Ana Teresa Pereira. Talvez precisasse de outro fôlego literário para contar uma grande estória. Mas será que lhe interessa esse tipo de escrita? Lamento as três estrelas para um livro de uma autora de quem possuo várias obras e a quem reconheço um grande domínio da palavra escrita e da efabulação literária. Sabe-me sempre a pouco, como se houvesse qualquer coisa que ficou por dizer e que o leitor não está apto a desenvolver ou nem lhe interessa. O hermetismo de certas passagens leva-me a pensar ser um livro que privilegia os fãs da sua obra.

Ana Teresa Pereira, “O Atelier de Noite”, Relógio D’Água, Lisboa, 2019

Na praia de Chesil

Na Praia de ChesilUma história de amor, quase sempre intensa, mas a que estava vedado, no final, o relacionamento sexual pela frigidez da mulher, que só o revelou na noite de casamento, como se guardasse um segredo. O desencontro de duas pessoas que diziam amar-se, mas apenas de uma forma mais ou menos platónica, de uma das partes, e que não foram capazes de tentar uma mudança no relacionamento. Nada de extraordinário, afinal, no mundo em que vivemos. Apesar da quase banalidade do tema, nos dias de hoje, uma novela bem escrita. ***

Ian McEwan, “Na praia de Chesil”, 5.ª ed., Gradiva, 2019

A obra literária

“Uma obra literária também desperta expectativas que precisa de satisfazer, caso contrário deixará de ser lida. As mais profundas ansiedades da literatura são literárias e, na minha perspectiva, elas definem o literário ao mesmo tempo que se tornam tudo excepto idênticas a ele. Um poema, um romance ou uma peça adquirem todas as desordens da humanidade, inclusive o medo da mortalidade, o qual se transmuda, na arte literária, na demanda de ser canónico, de ingressar na memória comum ou societal.”

Harold Bloom in “O Cânone Ocidental”, tradução de Manuel Frias Martins, Círculo de Leitores, Lisboa, (jan) 2013