A balada de Adam Henry

A Balada de Adam HenryA Balada de Adam Henry by Ian McEwan

My rating: 3 of 5 stars

Romance muito bem escrito, embora o tema pudesse servir de argumento de uma vulgar telenovela. Não estou a dizer que a escrita, a capacidade de prender o leitor não seja grande. No fundo, numa comparação apressada, é como se fosse dado a um grande ator representar um papel menor, que ficaria melhor em alguém menos talentoso, ou com menos experiência. Não deixa, no entanto, de se estar em presença de um bom romance. Mas não mais do que isso.

O Sentido do Fim

O Sentido do FimO Sentido do Fim by Julian Barnes

My rating: 4 of 5 stars

Julian Barnes conta-nos uma história onde, afinal, há duas histórias: uma que só é completamente revelada no final, que existiu paralelamente à outra, mas submersa por esta. Um romance bem escrito com uma leveza de linguagem apenas aparente. “O Sentido do Fim é assim a história de um homem que se confronta com a mutabilidade do seu passado”. (da contracapa)

O Atelier de Noite

AnaTeresaPereiraUm trabalho literário excelente, com matéria repescada de muitas leituras, policiais em grande medida, mas que não se encaixa naquilo que eu gosto de ler num livro. É a matriz de Ana Teresa Pereira. Talvez precisasse de outro fôlego literário para contar uma grande estória. Mas será que lhe interessa esse tipo de escrita? Lamento as três estrelas para um livro de uma autora de quem possuo várias obras e a quem reconheço um grande domínio da palavra escrita e da efabulação literária. Sabe-me sempre a pouco, como se houvesse qualquer coisa que ficou por dizer e que o leitor não está apto a desenvolver ou nem lhe interessa. O hermetismo de certas passagens leva-me a pensar ser um livro que privilegia os fãs da sua obra.

Ana Teresa Pereira, “O Atelier de Noite”, Relógio D’Água, Lisboa, 2019

Na praia de Chesil

Na Praia de ChesilUma história de amor, quase sempre intensa, mas a que estava vedado, no final, o relacionamento sexual pela frigidez da mulher, que só o revelou na noite de casamento, como se guardasse um segredo. O desencontro de duas pessoas que diziam amar-se, mas apenas de uma forma mais ou menos platónica, de uma das partes, e que não foram capazes de tentar uma mudança no relacionamento. Nada de extraordinário, afinal, no mundo em que vivemos. Apesar da quase banalidade do tema, nos dias de hoje, uma novela bem escrita. ***

Ian McEwan, “Na praia de Chesil”, 5.ª ed., Gradiva, 2019

A obra literária

“Uma obra literária também desperta expectativas que precisa de satisfazer, caso contrário deixará de ser lida. As mais profundas ansiedades da literatura são literárias e, na minha perspectiva, elas definem o literário ao mesmo tempo que se tornam tudo excepto idênticas a ele. Um poema, um romance ou uma peça adquirem todas as desordens da humanidade, inclusive o medo da mortalidade, o qual se transmuda, na arte literária, na demanda de ser canónico, de ingressar na memória comum ou societal.”

Harold Bloom in “O Cânone Ocidental”, tradução de Manuel Frias Martins, Círculo de Leitores, Lisboa, (jan) 2013

O que é um romance?

Um romance é aquilo que o autor quiser que seja. O Herberto Helder tem razão quando diz que está tudo misturado: não se sabe quando é que a poesia não dá origem a um romance, quando é que um ensaio não é um romance, quando é que no interior de um ensaio não aparece um poema… Não vejo por que é que essas coisas hão-de ser catalogadas. Há páginas de grandes romances que são grandes páginas de poesia. Bom, mas isto é mais um pressentimento que uma certeza, que o início de uma teoria… É uma interrogação. O meu problema é que sempre li mais prosa que poesia. Na verdade, a poesia aborrece-me mais. Não é bem isso… é no sentido de que ocupa um espaço muito menor nas minhas leituras. A poesia é assim: abro um livro, leio este poema, leio aquele, depois arrumo, um dia volto…

Al Berto, in “Entrevista à revista Ler (1989)”