Lucrécia L.

Al Berto

Tive tantos filhos quantos peixes há no mar. Os pássaros que voam, no Inverno, em direcção ao continente, fui eu que os gerei. Passei a vida a parir. Alguém tinha de se dedicar a este trabalho de povoamento. Esta ilha estava nua, queimada. O meu ventre foi a arca misteriosa onde se gerou tudo o que se respira e move.
Eu fui a Mãe-da-Terra.

Al Berto, “O Anjo Mudo”, 3.ª ed. reimpressa, Assírio & Alvim, Porto, 2017