O conforto físico do leitor

Porém, como Colette descobriu, além de exigirem um contraste entre o seu conteúdo e o ambiente envolvente, alguns livros parecem pedir posições específicas para serem lidos, posturas corporais do leitor que, por sua vez, exigem lugares de leitura apropriados.

Frequentemente, o prazer da leitura depende em grande medida do conforto físico do leitor.

Alberto Manguel in “Uma História da Leitura”, Tinta-da-China, Lisboa, 2020

O formato do livro


Quando escolho um livro para levar para a cama ou para a secretária, para o comboio ou para oferecer de presente, considero tanto a forma como o conteúdo. Dependendo das ocasiões, dependendo do lugar onde escolho ler, prefiro um livro mais pequeno e cómodo ou mais amplo e substancial. Os livros revelam-se pelos títulos, pelos autores, pelos lugares que ocupam num catálogo ou numa estante, pelas ilustrações na capa. E também pelo tamanho. Consoante a época e o lugar, antecipo que os livros tenham aparências diversas e, como em todas as modas, essas características passageiras fixam uma qualidade precisa para a definição de um livro. Avalio um livro pela capa; avalio um livro pelo formato.
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Alberto Manguel in “Uma História da Leitura”, Tinta-da-China, 2020

Advogado do Diabo

Pessoa que defende o contrário do que acredita, ou que defende uma tese que não tem defensores, porque são aparentemente indefensáveis.

A origem da expressão vem da Igreja Católica. Antigamente, nos processos de beatificação, a Igreja nomeava alguém para verificar a verdadeira santidade do candidato a santo. Tentava assim encontrar falhas no processo ou na vida do candidato, objetando contra a sua elevação a santo. Tal tarefa ficava a cargo do advogado do Diabo advocatus diaboli, oposto ao advogado de Deus advocatus dei. Existe um romance do escritor australiano Morris West intitulado «O Advogado do Diabo», publicado em 1959, que foi adaptado ao cinema, em 1977, com o mesmo título e protagonizado pelo ator Al Pacino.

Verbete do livro de António Garcia BarretoO Povo Faz a Língua” (registado no IGAC – Inspeção-Geral das Atividades Culturais)

20 livros para oferecer/ler neste Natal

Vinte livros escolhidos ao acaso do meu gosto para oferecer/ler neste Natal:

  • Llosa, Mario Vargas – A Civilização do Espetáculo, Quetzal, Lisboa
  • Durrell, Lawrence – O Quarteto de Alexandria, várias edições
  • Pérez-Reverte, Arturo – O Pintor de Batalhas, Asa (Leya), Alfragide
  • Greene, Graham – O Poder e a Glória, Casa das Letras, Alfragide
  • Bukowski, Charles – Pulp, Alfaguara (Objetiva), Carnaxide
  • Padura, Leonardo – O Homem Que Gostava de Cães, Porto Editora, Porto
  • Montero, Rosa – A Carne, Porto Editora, Porto
  • Banville, John – O Mar, ASA (Leya), Alfragide
  • Roth, Philip – Pastoral Americana, D. Quixote, Alfragide
  • Infante, Guillermo Cabrera – Mapa Desenhado por um Espião, Quetzal, Lisboa

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  • Sena, Jorge de – Sinais de Fogo, Livros do Brasil, Porto
  • Santareno, Bernardo – Nos Mares do Fim do Mundo, E-Primatur, Silveira (Oeste)
  • Brandão, Raul – As Ilhas Desconhecidas, Quetzal, Lisboa
  • Mãe, Valter Hugo – A Desumanização, Porto Editora, Porto
  • Viegas, Francisco José – O Mar em Casablanca, Porto Editora, Porto
  • Peixoto, José Luís – Dentro do Segredo, Quetzal, Lisboa
  • Barreto, António Garcia – A Malta da Rua dos Plátanos, Book Cover, Porto
  • Cleto, Joel – Lendas de Natal, Book Cover, Porto
  • Cardoso, Dulce Maria – O Retorno, Tinta da China, Lisboa
  • Bessa-Luís, Agustina – A Sibila, Relógio D’Água, Lisboa

Leitores e etc.

Escrever, escrever, escrever. Onde estão os leitores? Ou filmar, filmar, filmar. Ou ensaiar, ensaiar, ensaiar. Onde estão os espetadores? E os museus? E a música? E a dança? Perguntas. É verdade que quem consome cultura é quase sempre uma elite com base cultural, classe média, salário para extras. É preciso ser incentivado desde criança a interessar-se pela cultura. Em casa e na escola. Num país pequeno como o nosso, sem tradição cultural, essa elite é despicienda. Há, no entanto, países com menor ou igual população, mas com gente que se interessa pela cultura: Noruega, Suécia, Islândia, Bélgica, Holanda, Dinamarca… Melhores salários, maiores incentivos culturais, o que nem sempre significa gastar mais dinheiro. Ideias. Projetos exequíveis. Dinamismo. Portanto, nós por cá continuamos mal. Mas temos um Ministério da Cultura e uma ministra. Ao que parece para distribuir uns subsídios e mais não sei o quê. Uma inutilidade. Mas fica bem no retrato dos políticos.

Escrever, escrever, escrever. Para quê? Para quem?