Compra vantajosa

Hoje, por mero acaso, entrei num centro comercial onde na área central estava instalada uma feira do livro, igual a outras que se encontram, no verão, numa espécie de insufláveis junto às praias. Vendem restos de coleções a metade do preço, ou mais. Mas também lá encontrei livros acabados de sair, como o último do John Le Carré, e. g. É preciso escolher bem, pois também se encontram muitos monos. Comprei:

  • Mais Fados & Companhia“, de Vasco da Graça Moura (poeta, ensaísta, tradutor, gestor público) – por 5 euros (ainda intacto numa bolsa de celofane)
  • Felicidade na Austrália“, de Liberto Cruz (poeta, romancista, ensaísta) – por 2 euros
  • O Olimpo dos Desventurados“, de Yasmina Khadra (pseudónimo do escritor argelino Mohammed Moulessehoul, antigo oficial do exército, que usa o nome da mulher como pseudónimo, pois à época em que começou a escrever ainda era militar no activo. Tem vários títulos traduzidos em Portugal e editados pela Editorial Bizâncio) – por 3 euros
  • O Último Olhar de Manú Miranda“, de Orlando da Costa (escritor, copywriter, militante comunista, pai de António Costa, atual primeiro.ministro, e de Ricardo Costa, jornalista) – por 5 euros

Total: 15 euros. E uma manhã feliz. 🙂

Pedro Páramo

Juan rulfoVim a Comala porque me disseram que vivia aqui o meu pai, um tal Pedro Páramo. Foi a minha mãe quem mo disse. E eu prometi-lhe que viria vê-lo quando ela morresse. Apertei-lhe as mãos como sinal de que o faria pois ela estava à beira da morte e eu disposto a prometer-lhe tudo. “Não deixes de ir visitá-lo” – recomendou-me. “Chama-se assim e assado. Tenho a certeza de que gostará de conhecer-te.

Juan Rulfo

Mediterrâneo

IMG_2285BREVIÁRIO MEDITERRÂNICO, de Predrag Matvejevitch.  Prefácio de Claudio Magris e tradução de Pedro Tamen. Quetzal Editora.

Um livro denso sobre o Mediterrâneo, a sua história e a sua envolvente mais próxima e mais longínqua, da Europa, de África e do Médio Oriente. De ontem e de hoje (anos 80). Para ler com tempo e reler. Ainda há gente capaz disso? (*****)

Há vagas para leitores

No mesmo ano em que uma sondagem do semanário Expresso revelava que 43% dos portugueses não liam um único livro há seis meses, leio que na Finlândia as pessoas são bastante mais amigas da leitura e que são vendidos por ano no país cerca de 20 milhões de livros, o que indica aproximadamente 4 livros por pessoa, incluindo as crianças. Um em seis finlandeses entre os 15 e os 79 anos compra em média 10 livros por ano; e não se pode dizer que as novas tecnologias tenham afectado estes bons hábitos, pois em 1995 os números eram significativamente mais baixos.

Maria do Rosário Pedreira (poeta e editora) no blog “Horas Extraordinárias”

A posição dos livros

Uma pequena biblioteca com três mil volumes pode revelar-nos coisas interessantes. Comigo acontece ser levado a consultar, a ler ou a colher citações de livros, que estão à altura dos meus olhos, ou ao alcance da cadeira onde estou sentado. Como estão arrumados por autor acabo sempre por pegar nos mesmos livros e autores, esquecendo-me (a não ser que tenha uma necessidade específica) de consultar, ou pegar para reler, os que estão arrumados a um nível superior ou inferior. Ontem, baixei os olhos e fui surpreendido com obras de que não me lembrava já da sua existência. Não há dúvida que uma biblioteca para ser útil e diversificada exige alguma ginástica. 🙂