Sugestão de leitura

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“Belo e divertido, é um elegante livro de memórias e meditação – um profundo abalo sísmico.” (The New York Times)

“Muito bem escrito. Uma intensa meditação sobre a mortalidade humana, nem clínica, nem consoladora. Em vez disso, de forma espirituosa e melancólica, Barnes fala com simplicidade sobre o nosso medo mais universal.” (The Washington Post)

(Da contacapa do livro)

Clássicos com o JN

Book CoverO Jornal de Notícias, do Porto, traz em anexo, ao domingo, Os Essenciais da Literatura Portuguesa. Saíram já A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz e, amanhã, vamos ter O Amor de Perdição de Camilo Castelo Branco, edições da Book Cover Editora. E estão já prontos outros títulos. Aproveitem.

 

O Rio Triste

Fernando-NamoraNo dia 14 de Novembro de 1965, nesta cidade de Lisboa, um homem saiu cedo de casa e já não voltou. Nesse dia e nos que se seguiram. Também não o viram mais no emprego. Chamava-se ou chama-se (pois há quem pense que o caso não foi suficientemente deslindado), Rodrigo dos Santos Abrantes. Um nome vulgar se exceptuarmos talvez o Rodrigo, e por isso mesmo detestado pelo próprio, que, como se verá mais adiante, projectara mudá-lo para Rodrigo Macieira – as razões também as saberemos a seu tempo.
Vale a pena esmiuçar, e sobretudo fantasiar (já que as pistas concretas de que dispomos não nos levariam longe), as circunstâncias em que se deu esse desaparecimento. Rodrigo, após o pequeno-almoço, tomado como sempre sob a ressaca do maldito despertador, isto é, num silêncio amuado e gestos irritadiços, espreitou os ares pela janela das traseiras, logo deduzindo que a friagem recomendava que se precavesse com a gabardina (…)

O Rio Triste” (abertura), Fernando Namora, Círculo de Leitores, Lisboa, 1983 (edição de 15.000 exemplares)

A balada de Adam Henry

A Balada de Adam HenryA Balada de Adam Henry by Ian McEwan

My rating: 3 of 5 stars

Romance muito bem escrito, embora o tema pudesse servir de argumento de uma vulgar telenovela. Não estou a dizer que a escrita, a capacidade de prender o leitor não seja grande. No fundo, numa comparação apressada, é como se fosse dado a um grande ator representar um papel menor, que ficaria melhor em alguém menos talentoso, ou com menos experiência. Não deixa, no entanto, de se estar em presença de um bom romance. Mas não mais do que isso.

O Sentido do Fim

O Sentido do FimO Sentido do Fim by Julian Barnes

My rating: 4 of 5 stars

Julian Barnes conta-nos uma história onde, afinal, há duas histórias: uma que só é completamente revelada no final, que existiu paralelamente à outra, mas submersa por esta. Um romance bem escrito com uma leveza de linguagem apenas aparente. “O Sentido do Fim é assim a história de um homem que se confronta com a mutabilidade do seu passado”. (da contracapa)

O Atelier de Noite

AnaTeresaPereiraUm trabalho literário excelente, com matéria repescada de muitas leituras, policiais em grande medida, mas que não se encaixa naquilo que eu gosto de ler num livro. É a matriz de Ana Teresa Pereira. Talvez precisasse de outro fôlego literário para contar uma grande estória. Mas será que lhe interessa esse tipo de escrita? Lamento as três estrelas para um livro de uma autora de quem possuo várias obras e a quem reconheço um grande domínio da palavra escrita e da efabulação literária. Sabe-me sempre a pouco, como se houvesse qualquer coisa que ficou por dizer e que o leitor não está apto a desenvolver ou nem lhe interessa. O hermetismo de certas passagens leva-me a pensar ser um livro que privilegia os fãs da sua obra.

Ana Teresa Pereira, “O Atelier de Noite”, Relógio D’Água, Lisboa, 2019