A Justiça que temos

(A direita e os seus clarins na comunicação social andaram durante meses a querer convencer o País de que, com a Joana Marques Vidal, a nossa Justiça tinha dado passos de gigante na luta contra a corrupção. Nada mais falso. Os banqueiros que roubaram milhões e milhões continuam todos à solta e, mesmo os que já foram julgados, saíram ilesos.

No dia em que a Justiça prender o Ricardo Salgado – sendo o acto transmitido ou não em directo nas televisões, como ocorreu com Sócrates e Bruno de Carvalho -, aí sim, acreditarei que “terminou a impunidade”. Aqui fica o desafio para os senhores magistrados. 

Comentário da Estátua, 18/11/2018)

Ler todo o post seguindo o link acima. A notícia, no Diário de Notícias, a que diz respeito este comentário da Estátua de Sal: Banqueiros: muitas suspeitas, poucas condenações, nenhuma prisão

O juiz Cool

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Eu próprio nunca devia ter sido juiz; nessa qualidade, estive demasiadas vezes do lado errado; a lei não admite subtilezas. Lembram-se do velho Carper, o pescador que vivia numa casa flutuante, no rio? Expulsaram-no da cidade porque se queria casar com aquela rapariguita de cor muito bonita, que agora trabalha para Mrs. Postum, acho eu; e ela amava-o, sabem, eu costumava vê-los quando ia pescar, eram os dois muito felizes; ela era para ele aquilo que ninguém foi para mim, a única pessoa no mundo para quem não temos segredos. Apesar disso, caso ele tivesse conseguido casar com ela, o dever do xerife seria prendê-lo e o meu dever seria condená-lo. Às vezes, dou por mim a imaginar que todos aqueles a quem chamei culpados passaram a verdadeira culpa para mim; em parte é isso que me faz querer, por uma vez antes da morte, estar, sem sombra de dúvida, do lado certo.

Truman Capote in «A Harpa de Ervas”

Sol e sombra

Portugal tem muito sol por fora e muita sombra por dentro.

É, pelo menos, o que nos leva a concluir a quase diária denúncia nos órgãos de comunicação social, de casos de corrupção, ao nível da superestrutura política e social do país. E não é de agora. São empresários, gente da banca, do desporto, da política, da função pública.

O país parece uma daquelas maçãs de aspecto muito sadio e apetitoso, as quais quando se abrem revelam um miolo completamente podre. A extrema lentidão da Justiça em levar a bom termo os processos judiciais de maior projecção nacional, não será alheia ao sentimento de impunidade dos prevaricadores. Que futuro nos espera?