Na praia de Chesil

Na Praia de ChesilUma história de amor, quase sempre intensa, mas a que estava vedado, no final, o relacionamento sexual pela frigidez da mulher, que só o revelou na noite de casamento, como se guardasse um segredo. O desencontro de duas pessoas que diziam amar-se, mas apenas de uma forma mais ou menos platónica, de uma das partes, e que não foram capazes de tentar uma mudança no relacionamento. Nada de extraordinário, afinal, no mundo em que vivemos. Apesar da quase banalidade do tema, nos dias de hoje, uma novela bem escrita. ***

Ian McEwan, “Na praia de Chesil”, 5.ª ed., Gradiva, 2019

O vendedor de felicidade

DD11CFA0-A98F-4FA1-8583-6BE847A1F276Desde criança, Tito Borges imagina como teria sido a vida do seu avô materno. Na casa de família onde cresceu, o nome do patriarca da família não era pronunciado, como se de uma maldição se tratasse.

Quando atinge a idade adulta, decide investigar quem foi aquele homem, do qual só sabe ter um sorriso encantador, a que se não consegue resistir. Nesta reconstrução do passado, descobre que o avô fora um mestre na arte de burlar os outros, apresentando-se como vendedor de felicidade.

Tito Borges entra então, sem se dar conta, num jogo envolvendo perseguições perigosas, revelações inesperadas e um busto misterioso. E as coisas tornam-se mais complexas quando se reconcilia com uma antiga namorada, Rute, que o havia trocado por um dos seus amigos de infância.

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EXCERTO: «Quando entrei para a faculdade, passei a viver sozinho, em Coimbra, e depois em Lisboa. Olhava para trás e dava conta da existência de demasiados mortos na família, em pouco tempo. Uma espécie de infelicidade pairava sobre a minha vida, mas não quero dramatizar. Aos poucos, fui definindo objetivos. Terminar o curso e arranjar emprego, constituir família, tentar esclarecer o passado do meu avô, renovar a quinta de Casal de Ventos, de que era agora o único herdeiro. (…) Ainda não disse, mas vou dizer, o meu nome é Tito Borges.»

À sombra das acácias vermelhas

AcaciasV_300Um romance que aborda alguns aspetos da Guerra Colonial em que Portugal esteve envolvido durante treze anos (1961-1974), e sobre a qual o país político enfiou a cabeça na areia, como se ela não tivesse ocorrido.

“Quem habita situações como as que estão referidas neste livro habitualmente tarda em publicitá-las, devido à carga emocional que a elas está ligada. Existem sentimentos de humilhação, coisas más que frenam a espontaneidade e necessitam de um tempo decorrido para o esbatimento desejável e libertador. Permite-se, assim, ao leitor a fruição de um testemunho mais distanciado e crítico, porventura mais coerente. António Garcia Barreto é um autor com uma vasta obra publicada na área do romance e literatura infanto-juvenil.” (da contracapa)

(À venda na WOOK.pt com possibilidade de leitura de algumas páginas)

Trecho de “A Malta da Rua dos Plátanos”

MaltaPlátanos“O dia estava tão alegre quanto nós ficámos ao travar a corrida dentro da sala da Avó Mariana. O canário que o Avô Bernardo cuidava com tanto esmero parecia participar da exaltação geral, pois trinava com floreados sonoros dignos de enlevar um surdo. Com os pulmões à boca, dificilmente cumprimentámos os presentes, cirandando o olhar em redor à procura da novidade. Por fim, reparámos no único objeto que não era das nossas relações.
– O que é aquilo, Quicas? – adiantou-se Filhoca.
– É uma televisão. Cinema em miniatura.”

(antónio garcia barreto)

Cabeça de Tuba

AcaciasV_300O tenente Coutinho parecia talhado para carranca de brigue. Ou por isso, ou pela fisionomia larga e algo bronca, o certo é que era mais conhecido por Cabeça de Tuba. Um Adamastor sem brilho e sem história que as vicissitudes da vida haviam transformado em oficial menor de um exército moribundo, na véspera de uma retirada definitiva. A bizarria do seu porte e a eficácia do seu gesto assumiam o valor de um arcabuz na guerra moderna. Contava-se que conseguira os galões após vinte anos de tarimba, almoçando feijão com massa em messes fedendo gorduras, remoendo desditas e decorando o código de disciplina militar, vírgula a vírgula, num esforço de meninges assolapadas. Teriam sido anos difíceis, os dessa ascensão lenta mas perseverante, marcando passo ao som de clarins roufenhos tocados por músicos de banda filarmónica desviados da função. Anos a receber ordens sobranceiras de superiores atacados por crises de bílis que sonhavam com campanhas napoleónicas no decurso de digestões difíceis. A seguir a tanto esforço castrense obteve a recompensa de ser subalterno. Isto numa idade em que outros ou eram generais ou já tinham mudado de vida. Era natural que se sentisse oficial de segunda linha, suportando a pedra no sapato, mas não. Pavoneava os galões com o orgulho tosco de quem chegou no fim da jornada e recebeu um prémio de consolação. Mas isso era o menos. O pior é que era um tremendo chato, um manipulador de ódios, fomentando complicações onde só existiam pequenas falhas humanas, destruindo prazeres em nome de um conceito muito próprio de «dever e serviço».

António Garcia Barreto in “À Sombra das Acácias Vermelhas“, Roma Editora, Lisboa

Guerra colonial

AcaciasV_300

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“Quem habita situações como as que estão referidas neste livro habitualmente tarda em publicitá-las, devido à carga emocional que a elas está ligada. Existem sentimentos de humilhação, coisas más que frenam a espontaneidade e necessitam de um tempo decorrido para o esbatimento desejável e libertador. Permite-se, assim, ao leitor a fruição de um testemunho mais distanciado e crítico, porventura mais coerente. António Garcia Barreto é um autor com uma vasta obra publicada na área do romance e literatura infanto-juvenil.” (da contracapa)