O Menino

O que o Menino gostava era da aventura de viajar de comboio até à terra dos avós. Todos os anos pelas férias grandes. Uma aventura como aquelas que lia nos livros onde aprendera a soletrar ainda antes de ir para a escola. Uma viagem que demorava horas embalado pelo ligeiro solavanco da carruagem a deslizar sobre os carris, o som do apito da máquina a vapor varando o espaço, aviso da sua circulação junto a passagens de nível ou na curva dos caminhos. Cheirava a fumo largado pela chaminé da locomotiva, uma nuvem de um branco-cinza, resultado da queima do carvão na fornalha da máquina aquecendo a água da caldeira produzindo a pressão do vapor que fazia a locomotiva puxar as carruagens. Tudo isso lhe ensinara o avô, antigo maquinista dos caminhos de ferro.
Gostava daqueles minutos de paragem nas estações principais onde umas mulheres se aproximavam das janelas para vender pequenas bilhas de água fresca, pastéis de feijão, arrufadas e, às vezes, cachos de uvas. O Menino tinha sempre vontade de beber água, comer um pastel de feijão ou uma arrufada, e um galho de uvas. A viagem continuava com a paisagem a fugir do vidro da janela pela esquerda alta.

(agb)

Trecho de “A Malta…”

“- Vou de férias, mas quando fizer quinze anos tenho um emprego à minha espera. E vocês na moinisse, a mandriar e a namorar. Eu nem vou ter tempo para dormir.
– Nós, a moinar? Pensas que ficamos aqui de barriguinha ao sol? Três meses de férias vão ser três meses de trabalho numa loja, numa fábrica, ou até numa carvoaria. Vamos entrar brancos e sair de lá pretos de carvão.”

(António Garcia Barreto inA Malta da Rua dos Plátanos“, Book Cover Editora)

Leitura de uma página de A Malta da Rua dos Plátanos

Leitura de uma página do romance “A Malta da Rua dos Plátanos

Podem adquirir o livros nos locais habituais e também online:
* Bertrand; Wook; FNAC; Book Cover Editora; Ana Monteiro;

Fábula

foto-10Maria tinha um gato. Manuel tinha um cão. O gato não gostava do cão. Maria acusou Manuel de virar o cão contra o gato. O cão não gostava do gato. Manuel acusou Maria de acicatar o gato contra o cão. Passado tempo o cão morreu, mas não foi o gato que o matou. Meses depois morreu o gato, e, claro, não foi o cão que o matou.
Manuel e Maria voltaram a ser felizes.

A Malta3

“A malta são as crianças sem infância de uma época quase esquecida, decorrida entre o final da década de 40 e o 25 de Abril. Crianças, depois adolescentes e adultos, que do nada fizeram tudo, lutando e construindo o seu próprio futuro.”

Podem adquirir online na WOOK.