Katherine Vaz, escritora luso-americana

ng1359351Tenho há vários anos na minha biblioteca dois livros da escritora luso-americana Katherine Vaz: “Saudade” e “Fado e Outras Histórias”. Katherine Vaz nasceu na Califórnia e tem ascendentes açorianos, pelo lado do pai e avô, e irlandeses, por parte da mãe. Mas não é isso que pretendo sublinhar. Quando peguei no livro “Saudade” não fiquei muito entusiasmado com a leitura, que abandonei de imediato. Acontece-me nem sempre estar preparado para determinadas leituras, que tem mais a ver com interesses e disponibilidades de momento, que pelo valor e interesse (ou não) da obra. Ontem, num raid pelas estantes, encontrei um outro livro da autora: “Fado e Outras Histórias”. Comecei a lê-lo e o interesse em continuar manifestou-se de imediato. Como não é difícil de imaginar são histórias que têm a ver com a vida desses emigrantes açorianos em terras do Tio Sam, histórias em que a autora está muitas vezes presente, e que para além de revelarem uma realidade sempre interessante de conhecer, são apresentadas por uma escrita fluida que cobre registos de locais tão diferentes como Havai, a Califórnia e os Açores. O livro recebeu em 1997 o “Drue Heinz Literature Prize”. Outro romance da escritora intitula-se “Mariana” e aborda a vida de Mariana Alcoforado. Katherine Vaz esteve várias vezes em Portugal. Vale pena conhecer a sua obra. Estou a descobri-la agora.

Pequeno Poema

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Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.
 
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
 
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
 
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…
 
Pra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe…
 
Sebastião da Gama, «Antologia Poética”

Fernando Assis Pacheco

FernandoAssisPachecoQuando o Padeiro Velho de Casdemundo teve a certeza de que Manolo Cabra lhe desfeiteara a irmã, em dois segundos decidiu tudo. Nessa mesma noite matou-o de emboscada, arrastou o cadáver para o palheiro e foi acender o forno com umas vides que comprara para as empanadas da festa de San Bartolomé.
O irmão do meio encarregou-se de cortar a cabeça ao morto. O Padeiro Velho amanhou-o e depois chamuscou-o bem chamuscado. Às duas da manhã untou o Cabra de alto a baixo com o tempero, enfiando-lhe um espeto pelas algas. Às cinco estava assado.
«Caramba», disse o irmão do meio, que admirava todas as invenções do mais velho, «é à segoviana!»
«Mas não lhe pões o dente», cortou o outro.

Fernando Assis Pacheco, in «Trabalhos e Paixões de Benito Prada», Círculo de Leitores, 1994

Maria Rosa Colaço

1Professora e escritora natural do Torrão, Alentejo, nasceu em 1935, tendo falecido em Lisboa em 2004. Escreveu romances, contos, novelas, teatro e e literatura para crianças. Os seus livros infantis estão tocados pelo conhecimento profundo do universo da crianças, deles sobressaindo uma enorme ternura, um sentimento de paz e algum fundo moral. O seu livro «A Criança e a Vida» colige textos escritos por crianças da escola primária, tendo até 2002 ultrapassado as três dezenas de edições, encontrando-se traduzido em francês e em catalão. Mas é com «O Espanta Pardais» que a sua obra para crianças toma rumo, afirmando Maria Rosa Colaço como um nome indispensável na literatura infantil portuguesa. Para além dos livros acima referidos escreveu ainda, entre outros, «Joaninha Avoa, Avoa», 1962, «Aventuras de João-Flor e Joana-Amor», 1985, «Maria Tonta Como Eu», 1983, «Pássaro Branco», imp. 1989, galardoado com o Prémio Alice Gomes. A Câmara Municipal de Almada instituiu um prémio literatura infantil a que deu o seu nome. Há no concelho de Almada a escola do ensino básico Maria Rosa Colaço.

[(Parte deste texto está incluído em António Garcia Barreto, «Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa», Campo das Letras, Porto, 2002 (esgotado)]

Romance da Raposa

Obra para crianças da autoria de Aquilino Ribeiro publicada no Natal de 1924, pela Aillaud & Bertrand, com ilustrações de Benjamim Rabier, e dedicada a seu filho Aníbal. Inspirando-se no fabulário universal, que desde Esopo se foi acrescentando na história literária dos povos, Aquilo Ribeiro construiu uma obra portentosa, só possível de escrever graças ao seu talento literário. Trata-se, resumindo, e utilizando as palavras e o vocabulário do escritor, da história da «raposa Salta-Pocinhas, raposeta, pintalegreta, senhora de muita treta… raposeta matreira, fagueira, lambisqueira» e das suas aventuras maravilhosas. A Salta-Pocinhas vai levando tudo e todos de vencida graças à sua astúcia e às trapaças que vai fazendo, sem se importar se é bem ou mal. Aliás, Aquilo Ribeiro adverte logo o filho – e o leitor, naturalmente – que ali não está em causa o Bem ou o Mal, que são conceitos que os animais não conhecem. Não existem lições de moral e o livro é um prodígio de graça e ironia, sustentadas pela linguagem forte e variada do escritor. Verdadeira literatura, ao nível dos melhores autores universais.

in Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa, de António Garcia Barreto, Campo das Letras, Porto, 2002

Arturo Perez-Reverte

Eva, o mais recente livro de Arturo Perez-Reverte, é tão nostálgico quanto provocador. Numa conversa em Lisboa, diz que, ao contrário do que rezam algumas acusações que lhe foram feitas, este é um romance profundamente feminista, que a década de 30 foi a grande oportunidade perdida e que o Ocidente não tem salvação.

Uma entrevista a merecer uma leitura e uma reflexão. Sigam o link. Jornal Público.

Fonte: Arturo Perez-Reverte: “Acusam-me de ter escrito um romance machista” | Livro | PÚBLICO

O caso da menina que inspirou ‘Lolita’ 

Um novo livro aprofunda a relação entre o romance de sucesso de Nabokov e a história real de Sally Horner, de 11 anos, sequestrada e maltratada por um pedófilo em 1948

Sally Horner desapareceu poucos dias depois de completar 11 anos, em junho de 1948, sequestrada por um pedófilo chamado Frank la Salle. A menina passaria quase dois anos desaparecida, até conseguir escapar e voltar para casa. Talvez algumas das manchetes que revelaram sua provação tenham chegado às mãos de Vladimir Nabokov. Em algum momento entre 1950 e 1952, o grande escritor russo tomou conhecimento de seu caso. Nabokov estava, naquela época, em uma crise criativa e profunda. Havia anos estava lutando com um manuscrito, ainda chamado O Reino do Mar, que esteve a ponto de jogar na fogueira em duas ocasiões por se sentir incapaz de terminá-lo. A história de Sally ajudou-o a encontrar o caminho para concluir um romance que, rebatizado de Lolita, catapultou sua popularidade e deixou uma marca indelével na história da literatura.

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Fonte: Vladimir Nabokov: O caso da menina que inspirou ‘Lolita’ | Cultura | EL PAÍS Brasil