A morte da ficção?

Já existem mais livros de cozinha à venda em Portugal do que livros de ficção. Interpretem como quiserem. O problema não é específico dos tugas, mas os outros países têm bases mais sólidas de vida e aguentam-se melhor ao desconcerto. Teatro, cinema, livros, música, arte: Quo vadis?

A democracia

A democracia não é extensível a extremismos. O mesmo é dizer: a democracia não é paracropped-eu-e-o-bolo todos. A democracia não pode pactuar com quem se serve dela para impor regimes totalitários, ou musculados, de pensamento único, e depois se perpetuar no poder. Ora esta situação começa a tomar aspetos perigosos. A permissividade de democratas frouxos, que apenas pensam em termos do politicamente correto e dos seus interesses pessoais, mesquinhos, de sobrevivência política, abre as portas ao cavalo de Tróia que invadirá a democracia para assim a transformar em ditadura. Todos os alertas não serão demais. Todas as ações conducentes a barrar o extremismo são atos de defesa da democracia. Para que todos possamos respirar, falar e viver sem a sombra do medo a perseguir-nos, a matar-nos, se preciso for. Não é para amanhã. É para hoje.

António Garcia Barreto

O país sentado

Com a pandemia a manter-se no planalto e a não se prever o que ainda há pouco parecia uma certeza, o país parece que vai andar, mas não vai. Está sentado, como sempre à espera que o Estado resolva tudo, porque as pessoas não sabem tomar conta de si próprias nem dos seus.

Covid-19 e estupidez

Barrada a entrada de portugueses em dez países europeus, porque o índice de infectados pelo Covid-19 está acima de 20-25/100.000 habitantes. O governo assobia para o lado e diz que vai responder a esses países. Acho bem. Mas não seria melhor atentar nesses grupos que se juntam para festanças de onde depois saem infectados, de empresas que têm pessoal a trabalhar sem as condições de segurança (a televisão tem passado essas situações), da malta da construção civil que trabalha lado a lado sem usarem máscara (aqui à minha frente há um prédio com trabalhadores nessas condições e conheço outros), de abrirem as portas aos negócios cedo demais, de receberem a Web Summit, a Champions? Ontem morreu um médico com Covid-19, após quarenta e tal dias nos cuidados intensivos, médico de 68 anos e sem doenças. Começámos bem, mas estamos a ir mal, com mais casos de infectados, porque começam a desaparecer as campanhas de cuidados a ter face à pandemia e porque há pessoas suficientemente estúpidas que se estão borrifando para eles próprios e para os outros. Quem controla estas situações?

Talibãs

Afinal, há mais talibãs do que eu pensava. Estão espalhados pelo mundo e não são originários do Afeganistão. Vestem fato e gravata e aproveitam os ventos atuais vindos da extrema-direita do mundo, na sua cruzada para instalar o caos. Hitler deve estar a bater palmas na sepultura.
A culpa é dos políticos talhados à medida do politicamente correto, cuja única ideia é permanecer no poder a qualquer preço sem fazer ondas.

Os pirilampos ou vaga-lumes

pirilampoSegundo se pode ler numa publicação do Greensavers, os pirilampos estão em riscos de desaparecer.  São vários os motivos que a tal podem levar, não estando nenhum deles relacionados com a nossa EDP, a maior fornecedora de energia em Portugal 🙂 . As razões para a sua provável extinção têm a ver com o seu habitat, dado serem muito sensíveis à poluição luminosa e a mudanças de temperatura e de vegetação. Os pesticidas, claro, e a ocupação humana em locais que dantes lhes eram naturais, também contribuem para esse futuro ingrato para esta espécie de insectos.
Lembro-me, em criança, do fascínio que estes insectos exerciam sobre mim e os meus companheiros de brincadeira. A beleza do que é natural vai-se perdendo. Os mais jovens que vivem nas cidades perderam, ou nem chegam a conhecer, essa realidade dos campos e da vida próxima da natureza, o que é lamentável. Tal como aquela história da criança cuja única galinha que vira na sua vida era a dos pacotes de caldos de galinha de uma companhia alemã de alimentos.

Primavera

Primeiro dia de Primavera. Está a cair uma chuva primaveril. O céu está cinzento. O Tejo embrulhou-se num lençol de nevoeiro. Ouve-se o ronco dos grandes barcos a pedir passagem. As ninfas devem estar comodamente sentadas à lareira. As ruas estão desertas. O Parque está fechado. Os cães decidiram aproveitar a chuva para diluírem a urina e não queimarem tanto a relva. Os operários abandonaram os prédios por acabar. Só mesmo os melros e os pombos não desistem de se alimentarem no asfalto das ruas e nos ajardinados. É primavera. Que alegria.