Primavera

Primeiro dia de Primavera. Está a cair uma chuva primaveril. O céu está cinzento. O Tejo embrulhou-se num lençol de nevoeiro. Ouve-se o ronco dos grandes barcos a pedir passagem. As ninfas devem estar comodamente sentadas à lareira. As ruas estão desertas. O Parque está fechado. Os cães decidiram aproveitar a chuva para diluírem a urina e não queimarem tanto a relva. Os operários abandonaram os prédios por acabar. Só mesmo os melros e os pombos não desistem de se alimentarem no asfalto das ruas e nos ajardinados. É primavera. Que alegria.

Democracia não é bandalheira

Os médicos são alvo de agressões nos hospitais; os professores e os auxiliares nas escolas. Isto é o Texas dos fora-da-lei? Não há nenhuma autoridade capaz de pôr cobro a isto? E os ministérios respectivos, o que dizem sobre o assunto? E o que fazem? E o senhor primeiro-ministro o que tem a dizer? E os senhores deputados? Há mais vida para além do OE. Ou será que estamos na mão de minorias intocáveis que vivem à sombra do politicamente correto? Não quero pensar que ande tudo em roda livre. Democracia não é bandalheira.

2020 está à porta

Espero que o Ano que aí vem, por sinal bissexto, nos faça melhores. Nos limpe os egos da soberba que os afeta. Sejamos mais humildes e capazes de confraternizar com os nossos iguais, mais sérios nas coisas sérias, não enjeitando nem o diálogo nem o sorriso. Amar sem dar poucochinho, viver pensando também nos outros e na forma de os auxiliar. Ser justos e cordiais procurando a nossa felicidade e a dos que nos rodeiam. Estar mais atentos às alterações climáticas concorrendo para ter um planeta mais saudável, à medida humana. BOM ANO 2020.

(agb)

Natal?

NatalA magia do Pai Natal já foi para as urtigas há muito tempo. Mas cada ano que passa ela fica menos mágica e mais comercial e chata. Em vez de Pai Natal há um Pai Negociante que nos impinge a toda a hora as coisas mais absurdas. Esse Pai Negociante leva as pessoas a gastarem o dinheiro que muitas vezes lhes faz falta para necessidades bem mais urgentes, só para manter a tradição. Essa ideia do Pai Natal que vem dos gregos, de S. Nicolau, passou pelos EUA e Canadá e transformou-se em negócio. As pessoas carregam pilhas de compras, muitas vezes perfeitamente inúteis, que no dia seguinte vão para o lixo. Não, não gosto deste tipo de NATAL.