Os fogos

Sinceramente, acho que anda alguém a brincar com os fogos e ainda não se queimou a valer. Não tem havido verão e logo aos primeiros sinais de calor há fogo? É estranho. Deixa muitas dúvidas. Parece que o fogo e o vento vêm sempre do mesmo lado.

Coisas da silly season

Desde o 25 de Abril que os portugueses foram educadas no usufruto das amplas liberdades, mas esqueceram-se de educá-los nos amplos deveres. Foi hoje aprovado um diploma que multa o cidadão, entre 25 e 250€, que atirar beatas para o chão. Quem faz a vigilância, quem multa, onde está? À porta de diversos serviços públicos (e em muitos outros locais) há centenas de beatas atiradas para o chão. Vão lá colocar um polícia de plantão? No outro dia a Câmara colocou nos portões do Parque dos Poetas uns cartazes a proibir a entrada de cães nos jardins, mesmo que atrelados ao dono. As pessoas continuam a levar os bobis a dejectar e a urinar sobre a relva, onde depois brincam crianças. Onde está a vigilância, quem vai multar? Nas rotundas é proibido parar ou estacionar. Ao pé de mim, há uma rotunda de constante movimento, e há estacionamento permanente na mesma, às vezes mesmo defronte da entrada para as garagens. E todos os inquilinos têm garagens. Não me façam rir.

Passageiro atónito

Entro no comboio e quando dou por mim a olhar para o painel de informação electrónica no interior da carruagem, convocado pela voz anónima da máquina, verifico que estou a viajar no passado, ou seja, no dia anterior. Encolhi os ombros. Desço do comboio e sigo para o metro, que apanho de imediato. Pouco depois, no comboio subterrâneo, uma outra voz gravada anuncia a estação seguinte do metro. Mas o nome da estação escrito no painel é o da estação anterior. E assim continua. Porreiro, pá. Os turistas agradecem a confusão. Pensei: é um dia mau, amanhã será melhor. Os tugas nem sempre andam encostados à corda. Tanto o comboio como o metro iam apinhados de passageiros, sobretudo turistas, como vão sempre. Deve ser esta a excelência de Portugal de que falam os meios de comunicação social e replicam as redes sociais.

Incentivos à leitura

Onde é que estão os incentivos à leitura? Que ideias tem o Governo para a dinamizar junto de escolas, bibliotecas, na rua, nos transportes, etc? Falo da leitura e do livro, a que estou mais ligado. Mas podia falar do teatro, do cinema, da arte em geral. Pedir apenas aos escritores e ilustradores que, mais ou menos à borla, vão por esse país fora perorar junto dos alunos, é muito pouco e mal pago. Com imaginação e pouco dinheiro até era possível dinamizar o gosto pela leitura. O carreirismo, porém, embota as ideias e a falta de dinheiro e a burocracia dão cobertura à ineficácia. A desculpa é a alienação com as redes sociais, os smartphones, os computadores e, claro, o orçamento exíguo. Não precisamos de um ministro da Cultura. Para o que se faz basta-nos um chefe de departamento.

Animalidades

E então chegámos a isto: as pessoas amam os animais acima do seu semelhante. Não que se deva tratar mal os animais, muito pelo contrário. Mas o que se está a passar é uma autêntica incapacidade de estabelecer relações com o outro, o ser humano que está ou vive ao nosso lado, porque este exige contraditório e não faz o que a gente quer. O animal, não. Mesmo o animal selvagem dificilmente se vira contra um ser humano, a não ser acossado por este, ou desde que veja invadido o seu território. Devido ao abandono e maus tratos a animais, surgiram as associações de defesa dos animais, dando-lhes abrigo e alimentando-os. Nesse meio heterogéneo, há gente que acaba mais preocupada com os bichos do que com o seu semelhante. Desculpam-se dizendo que não acreditam mais nos outros: nos homens, nas mulheres, nas pessoas. Às vezes tomam atitudes imbecis, que só lhes fica mal. Acham-se donos da razão. E agora, a cereja no topo do bolo: começam a aparecer, um pouco por todo o lado, mascarados que para defender os animais prometem atacar pessoas. Quem se mascara tem medo, não quer ser reconhecido. Ou então sob a capa da defesa dos animais o que pretendem é estabelecer um certo caos, fomentar o medo nas pessoas, abrindo a porta aos salvadores do mundo. Usando até um acrónimo que remete para confrontos históricos recentes. A História ensina-nos que os salvadores do mundo nunca salvaram ninguém. Nem a eles próprios.

Amici

Quando a gente pensa que estando rodeado de amigos a vida se torna mais leve e agradável, basta só invocarmos a sua solidariedade num momento difícil, para que os amigos (quase todos) em face do problema avaliem o risco; se for minimamente arriscado ou trabalhoso logo arranjam uma desculpa esfarrapada e se mudam para o outro passeio. Mais tarde reaparecerão como se nada se tivesse passado.

Os comboios e as estações da Linha de Cascais

Os comboios e as estações da Linha de Cascais são uma vergonha. Por fora as composições andam muitas vezes sujas, especialmente com graffitis, e as estações, bem as estações são outra vergonha ainda maior. As escadas rolantes não funcionam e as escadas normais têm muitas vezes degraus partidos (Alcântara-Mar, Paço de Arcos e. g.) um perigo para qualquer pessoa, sobretudo para pessoas idosas. As passagens subterrâneas são um nojo, com a agravante de muitas placas indicativas estarem grafitadas escondendo as informações (Alcântara-Mar, e. g.). Para não falar das máquinas de bilhetes, que nem sempre funcionam. Apenas as estações do Cais do Sodré e Cascais apresentam melhor aspecto, talvez por ser por elas que entram e saem os magotes de turistas que nos visitam todos os dias.

Há décadas que a situação na CP parece estar num estado vegetativo, de semi-abandono. E os comboios andam cheios de turistas e nacionais, pelo menos em horas de ponta, pelo que não se percebe este desleixo continuado.