Democracia não é bandalheira

Os médicos são alvo de agressões nos hospitais; os professores e os auxiliares nas escolas. Isto é o Texas dos fora-da-lei? Não há nenhuma autoridade capaz de pôr cobro a isto? E os ministérios respectivos, o que dizem sobre o assunto? E o que fazem? E o senhor primeiro-ministro o que tem a dizer? E os senhores deputados? Há mais vida para além do OE. Ou será que estamos na mão de minorias intocáveis que vivem à sombra do politicamente correto? Não quero pensar que ande tudo em roda livre. Democracia não é bandalheira.

2020 está à porta

Espero que o Ano que aí vem, por sinal bissexto, nos faça melhores. Nos limpe os egos da soberba que os afeta. Sejamos mais humildes e capazes de confraternizar com os nossos iguais, mais sérios nas coisas sérias, não enjeitando nem o diálogo nem o sorriso. Amar sem dar poucochinho, viver pensando também nos outros e na forma de os auxiliar. Ser justos e cordiais procurando a nossa felicidade e a dos que nos rodeiam. Estar mais atentos às alterações climáticas concorrendo para ter um planeta mais saudável, à medida humana. BOM ANO 2020.

(agb)

Natal?

NatalA magia do Pai Natal já foi para as urtigas há muito tempo. Mas cada ano que passa ela fica menos mágica e mais comercial e chata. Em vez de Pai Natal há um Pai Negociante que nos impinge a toda a hora as coisas mais absurdas. Esse Pai Negociante leva as pessoas a gastarem o dinheiro que muitas vezes lhes faz falta para necessidades bem mais urgentes, só para manter a tradição. Essa ideia do Pai Natal que vem dos gregos, de S. Nicolau, passou pelos EUA e Canadá e transformou-se em negócio. As pessoas carregam pilhas de compras, muitas vezes perfeitamente inúteis, que no dia seguinte vão para o lixo. Não, não gosto deste tipo de NATAL.

Os fogos

Sinceramente, acho que anda alguém a brincar com os fogos e ainda não se queimou a valer. Não tem havido verão e logo aos primeiros sinais de calor há fogo? É estranho. Deixa muitas dúvidas. Parece que o fogo e o vento vêm sempre do mesmo lado.

Coisas da silly season

Desde o 25 de Abril que os portugueses foram educadas no usufruto das amplas liberdades, mas esqueceram-se de educá-los nos amplos deveres. Foi hoje aprovado um diploma que multa o cidadão, entre 25 e 250€, que atirar beatas para o chão. Quem faz a vigilância, quem multa, onde está? À porta de diversos serviços públicos (e em muitos outros locais) há centenas de beatas atiradas para o chão. Vão lá colocar um polícia de plantão? No outro dia a Câmara colocou nos portões do Parque dos Poetas uns cartazes a proibir a entrada de cães nos jardins, mesmo que atrelados ao dono. As pessoas continuam a levar os bobis a dejectar e a urinar sobre a relva, onde depois brincam crianças. Onde está a vigilância, quem vai multar? Nas rotundas é proibido parar ou estacionar. Ao pé de mim, há uma rotunda de constante movimento, e há estacionamento permanente na mesma, às vezes mesmo defronte da entrada para as garagens. E todos os inquilinos têm garagens. Não me façam rir.

Passageiro atónito

Entro no comboio e quando dou por mim a olhar para o painel de informação electrónica no interior da carruagem, convocado pela voz anónima da máquina, verifico que estou a viajar no passado, ou seja, no dia anterior. Encolhi os ombros. Desço do comboio e sigo para o metro, que apanho de imediato. Pouco depois, no comboio subterrâneo, uma outra voz gravada anuncia a estação seguinte do metro. Mas o nome da estação escrito no painel é o da estação anterior. E assim continua. Porreiro, pá. Os turistas agradecem a confusão. Pensei: é um dia mau, amanhã será melhor. Os tugas nem sempre andam encostados à corda. Tanto o comboio como o metro iam apinhados de passageiros, sobretudo turistas, como vão sempre. Deve ser esta a excelência de Portugal de que falam os meios de comunicação social e replicam as redes sociais.