Reflexão ao pequeno-almoço

Há dias em que leio muito, sobretudo romance e poesia, e outros em que espreguiço as leituras. Aquilo que se escreve hoje em dia já pouco me interessa. Há muita gente a escrever e a publicar, e outra tanta a desejar fazê-lo, mas a verdade é que os temas abordados são tão superficiais e descartáveis que raro merecem mais que um olhar cansado. O que acontece com a literatura sucede um pouco com a arte em geral, em que não se ultrapassa uma certa mediania criativa. Há exceções, claro. Mas à medida que há mais informação e instrução escolar não parece corresponder uma maior qualidade, o aparecimento de grandes autores capazes de nos agarrar. Daí que, aos poucos, me vou voltando para a leitura e releitura de escritores que o mundo parece ter esquecido. E o mesmo se passa em relação à música, pintura, jornalismo, cinema e teatro. A bitola está cada vez mais baixa em termos de exigência. Desiludido? Não. É uma fase. Outras virão, de melhor cepa.

Incentivos à leitura

Onde é que estão os incentivos à leitura? Que ideias tem o Governo para a dinamizar junto de escolas, bibliotecas, na rua, nos transportes, etc? Falo da leitura e do livro, a que estou mais ligado. Mas podia falar do teatro, do cinema, da arte em geral. Pedir apenas aos escritores e ilustradores que, mais ou menos à borla, vão por esse país fora perorar junto dos alunos, é muito pouco e mal pago. Com imaginação e pouco dinheiro até era possível dinamizar o gosto pela leitura. O carreirismo, porém, embota as ideias e a falta de dinheiro e a burocracia dão cobertura à ineficácia. A desculpa é a alienação com as redes sociais, os smartphones, os computadores e, claro, o orçamento exíguo. Não precisamos de um ministro da Cultura. Para o que se faz basta-nos um chefe de departamento.

Delfim Guimarães

Delfim Guimarães (1872-1933) foi poeta e escritor entre muitas outras actividades, como a fundação da hoje conhecida Editora Guimarães, administrador do concelho de Ponte de Lima e representante de D. Aurora de Macedo na Roça Pinheira, na Ilha de S. Tomé, onde se deslocou em vários anos (a fotografia a p/b foi tirada em S. Tomé). Nasceu no Porto e faleceu na Amadora onde existe um jardim com o seu nome. O retrato é da autoria de Roque Gameiro, aguarelista que viveu na Amadora.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Delfim_Guimarães
https://www.cm-pontedelima.pt/frontoffice/pages/895?poi_id=133

Se a Cultura não vive, murcha

Os contos não vendem, a poesia não vende, dizem os editores. Oa romances parece que também vendem pouco, a crer nos saldos nos hipermercados de livros de autores consagrados cuja primeira edição se arrastou anos seguidos. O que se vende são livros almoçadeiras, livros floreiras, livros sobre cães e gatos, de auto ajuda, livros sobre a bola que rola, vidas de actores simplex e de jogadores de futebol, que fizeram qualquer coisa que deixa a babar o leitor inculto e despreparado. É claro que os editores podiam e deviam fazer muito mais pelo livro. Mas temem pelo negócio, seguem as tendências do mercado. O Estado escondeu a Cultura num palacete atribuiu-lhe um curador manga de alpaca, sem verba, e atafulhado em papéis e subsídios. As escolas também se preocupam pouco com o estímulo à leitura. Não é de agora. Mas o livro enfrenta hoje uma concorrência difícil de combater: os smartphones que todo o jovem tem, usa e abusa. Para ler? Não. Para jogar, e enviar mensagens aos colegas e amigos, e ver vídeos no YouTube.

Falo do livro, mas podia falar do cinema, da música, do teatro, do interesse pelo conhecimento do acervo dos museus, pelas artes em geral. Se a Cultura não vive, murcha.

Vocação cultural

Se fizermos uma busca na Wikipédia, em português, constataremos facilmente que a esmagadora maioria dos artigos são escritos por brasileiros. Muitas vezes, os brasileiros dão-se ao trabalho de referir os títulos de livros, ou de filmes, estrangeiros, com as traduções existentes em Portugal e no Brasil. Confesso que eu apenas escrevi um artigo na Wikipédia. Também não sou exemplo. Mas a verdade é que havendo tanta gente com disponibilidade de tempo e com saber acumulado (estou a lembrar-me de professores universitários, e. g.) poderíamos fazer muito mais pelas nossas coisas e com melhor conhecimento de causa. Falta-nos vontade. Se for para dizer umas pilhérias e fazer ou copiar umas críticas no Facebook, aí já é mais fácil contarem connosco. Até mesmo jovens com conhecimentos específicos na área do desporto que praticam, ou de que gostam, e de informática, poderiam dar a sua contribuição na Wikipédia, ou através de outro suporte, como os blogs.

No campo específico da literatura (ou saúde, ou história, ou arte, etc.), se pretendo conhecer alguma coisa e procuro na Internet, a maioria das respostas encontro-as em sites brasileiros, espanhóis ou de língua inglesa ou francesa. Em português europeu é melhor esquecer. Perdemos vocação cultural, ou talvez nunca a tivéssemos tido em quantidade e dinâmica suficiente para nos congratularmos com o nosso trabalho. É pena.

Museu Arqueológico de Odrinhas (Sintra)

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O Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas assenta os seus mais profundos alicerces no Renascimento, quando alguém – muito provavelmente Francisco d’Ollanda – decidiu reunir em torno da antiga Ermida de São Miguel um apreciável conjunto de monumentos epigráficos encontrados por entre as ruínas romanas ainda então visíveis no local.

O actual Museu Arqueológico de São Miguel de Odrinhas, aberto ao público em 1999, é um projecto de arquitectura de Alberto Castro Nunes & António Maria Braga com a consultoria de Léon Krier, e programa museológico de José Cardim Ribeiro.

Do site do Museu