A poesia

A criação poética é um mistério indecifrável, como o mistério do nascimento do homem. Ouvem-se vozes, não se sabe de onde, e é inútil preocuparmo-nos em saber de onde vêm.

A poesia é a união de duas palavras que nunca se supôs que se pudessem juntar e que formam uma espécie de mistério.

Federico García Lorca (1898-1936)

A única história

índice(…) Susan mostrara-lhe que todos têm a sua história de amor. Mesmo que fosse um fiasco, que se tivesse desvanecido, que nunca funcionasse ou que, desde o início, fosse só mental: isso não a tornava menos real. E era a única história. (…)

Julian Barnes in “A única história”, Quetzal, Lisboa, 2019

O COMISSÁRIO MONTALBANO

9F61A963-D2C0-46A3-BC99-83539929865CNão se pode imaginar a cultura mediterrânica sem considerar a obra narrativa de Andrea Camilleri (1925-2019), o genial autor que em 1989 era conhecido pela sua ligação ao teatro (foi professor na Academia Teatral) e que, em 1994, publicou o primeiro romance policial, criando a figura do comissário Montalbano, como homenagem ao conhecido escritor espanhol Manuel Vásquez Montalban.

Andrea Camilleri e o Comissário Montalbano – por Manuel Simões

A série policial do Comissário Montalbano passou há menos de um ano na RTP2, aos sábados. Vale muito a pena ver. Mas não sei se voltarão a repeti-la. A fotografia acima é do escritor.

 

Nuno Bragança

“Nuno Bragança? Não conheço nenhum escritor com esse nome”

Passamos a apresentar: aristocrata da casa de Bragança, descendente do rei D.Pedro II, boxeur, boémio, radical fundador das brigadas revolucionarias, libertador da língua portuguesa, escritor.

(in jornal Observador)

nuno_braganca

Um dia peguei numa caneta, em um tinteiro e em uma folha de papel, e fui sentar-me a uma pequena mesa em um pequeno gabinete, e escrevi no alto da folha e em letras grandes:
U OMÃI QE DAVA PULUS
Depois chupei o rabo da caneta, que sabia a lavado e a polido, e escrevi por baixo e em letras pequenas o seguinte:
U omãi qe dava pulus era 1 omãi qe dava pulus grãdes.
El pulô tantu qe saiu pêlo tôpu.
Isto feito levei o papel ao meu tio Maurício, que estava sempre a ler jornais. O tio Maurício olhou para o meu escrito e foi-se embora com ele sem me dar palavra. Dois dias mais tarde reuniu-se o III ConselhodeFamíliaporcausadoPequeno.

Nuno Bragança, “A Noite e o Riso” in “Obra Completa”, Dom Quixote, 2009