O primeiro beijo no cinema

1 – O primeiro beijo no cinema. O primeiro beijo na boca no cinema foi muito provavelmente dado pela jovem e loira May Irwin e o bigodento John C. Rice num filme Edison de 1896. O filme retomava a história de uma peça intitulada The Window Jones (“A Viúva Jones”). Provocou, a 15 de Junho de 1896, no The Chap Book (segundo Jacques Deslandes) ou no Chicago Tribune (segundo outros) a ácida e virtuosa indignação do crítico Herbert S. Stone: “Nem um nem outro são fisicamente muito atraentes e o espectáculo [no teatro] do seu prolongado repasto nos lábios era difícil de suportar. Em tamanho natural, tais coisas já são animalescas. Mas nada comparado com o que agora se pode ver. Alargadas a dimensões fenomenais e repetidas três vezes, são absolutamente nojentas. (…)

Dominique Noguez “Vinte e Tantos Beijos no Cinema”, citado por Gérard Cahen in “História do Beijo”, Círculo de Leitores, 1998

Outros tempos…

Ficção

(…) as religiões foram as primeiras grandes invenções dos escritores de ficção. Uma representação convincente e uma explicação plausível do mundo, para mentes compreensivelmente confusas. Um história linda e perfeita, que encerra mentiras duras e exatas.

Barnes, Julian, in “Nada a Temer”, 3.ª ed., Quetzal, 2020

Livros Lidos

António Garcia Barreto lê “A Malta da Rua dos Plátanos”

Várias vezes premiado e com vasta obra publicada desde os anos 70, António Garcia Barreto deixa aqui uma parcela do seu romance “A Malta da Rua dos Plátanos”.

Nascido na Amadora a 15 de dezembro de 1948, António Garcia Barreto iria licenciar-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas seguiu o destino de muitos da sua geração e esteve na Guerra Colonial em Moçambique. Regressado a Lisboa, passou por diversos papéis em diferentes empresas (funcionário de livraria, técnico de organização e métodos, gestor de Recursos Humanos e diretor de pessoal) e tornou-se colaborador de diversos órgãos de comunicação social – República, Notícias de Lourenço Marques/Maputo, O Diário ou Diário Popular, neste caso participando com mais regularidade na Página Infantil sob a coordenação de José de Lemos. Empenhado na escrita, depois de um prémio de poesia em 1972 seria distinguido, no ano seguinte, como vencedor do concurso de contos que o Diário Popular organizou. O texto ganhador intitulava-se “Tio Jeropiga, Tio Manel Pedreiro, Eu, a Mula Bizarra e Companhia”.

Acabaria por enveredar pela literatura para os mais jovens com obras como “Botão Procura Casa” e “História das Três Janelas” (ambos de 1977), “Na Rua onde Moro” (1981), “O Luxo da Gata Mafalda” (1986), mas também uma série: “Brigada Azul” (publicada entre 2000 e 2002). Pelo meio criara e fora responsável, no Notícias da Amadora, no começo da década de 80, por uma página infantil (Oficina do Tio Lunetas) e também já se dedicara ao romance, como em “A Malta da Rua dos Plátanos” (1981), livro que aqui apresenta, ou “A Cidade dos Lacraus” (1994). Mas também abordara o ensaio com “Literatura para Crianças e Jovens em Portugal” (1998) e “Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa” (2002). “Contos do Amor Breve” foi publicado em 2000 e, no mesmo ano, “Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida” foi agraciado com o Prémio Literário de Sintra – Adolfo Simões Müller, de Literatura Infantojuvenil. De 2005 é o romance “Ensina-me a Namorar” e do ano seguinte a obra “À Sombra das Acácias Vermelhas”. “Ricardo Caiu no Buraco de Ozono” (2008) foi outro título dedicado aos mais jovens e, no mesmo ano, também publicou o romance “A Mulher da Minha Vida”. Em 2010 e 2011 regressou aos romances, respetivamente com “Um Sorriso para a Eternidade” e “O Homem do Buick Azul”. “A Malta da Rua dos Plátanos” foi revisto e reeditado no ano passado.

Book Cover Editora

“Era natural que António tivesse ouvido falar, na fábrica, da preparação de alguma revolta. Os homens é que sabiam dessas coisas das guerras e das revoluções. Por isso iam à tropa”, escreve o autor na obra “A Malta da Rua dos Plátanos”.

Membro da Sociedade Portuguesa de Autores, António Garcia Barreto publica o blog Viagens por Dentro dos Dias que pode ser visto aqui.

(Publicado no blog “Livros LidosLiteratura em Voz Alta a Qualquer Hora“, da responsabilidade de Paulo Pereira)

Jornalismo irrelevante

Quase trinta e um ano depois, o jornalismo tornou-se praticamente irrelevante. Perdeu leitores, perdeu profissionais e perdeu órgãos de informação, substituídos por uma coisa acrítica e facilmente manipulável como são as redes sociais.
(…)
Percebem-se muito bem os motivos pelos quais cada vez menos gente “consome informação jornalística”. Se é para ter acesso a uma réplica do lodo que circula nas redes sociais, mais vale chafurdar directamente na fonte.

Manuel Jorge Marmelo no seu blog “Teatro Anatómico“, de 29/06/2020