Há vagas para leitores

No mesmo ano em que uma sondagem do semanário Expresso revelava que 43% dos portugueses não liam um único livro há seis meses, leio que na Finlândia as pessoas são bastante mais amigas da leitura e que são vendidos por ano no país cerca de 20 milhões de livros, o que indica aproximadamente 4 livros por pessoa, incluindo as crianças. Um em seis finlandeses entre os 15 e os 79 anos compra em média 10 livros por ano; e não se pode dizer que as novas tecnologias tenham afectado estes bons hábitos, pois em 1995 os números eram significativamente mais baixos.

Maria do Rosário Pedreira (poeta e editora) no blog “Horas Extraordinárias”

Novela Gráfica com o Público

Começa no próximo dia 4 (quinta-feira) a nova colecção Novela Gráfica que é publicada pela Levoir em parceria com o jornal Público. Esta colecção traz algunas autores já conhecidos do púbico português. Eis o alinhamento da colecção, bem como alguns detalhes do primeiro volume, O Tesouro do Cisne Negro: O Tesouro do Cisne Negro de […]

via Novidade: O Tesouro do Cisne Negro – Paco Roca e Guillermo del Corral Van Damme — Rascunhos

Eu gostava de ter escrito isto

O MUNDO TRANSFORMOU-SE NUM LUGAR ESTRANHO

A Universidade de Manchester tem vindo a habituar-nos a grandes conquistas da humanidade em geral, mas a mais recente é a decisão – da sua associação de estudantes – de banir os aplausos dos eventos promovidos nas suas instalações. Nada de palmas. Nada de oohhh, aaah e quejandos. A partir de agora, os aplausos serão silenciosos, adotando os gestos da linguagem dos surdos-mudos. Bater palmas, diz a associação, pode ser agressivo ou marginalizador para estudantes autistas, surdos ou com problemas sensoriais, e a universidade pretende-se inclusiva; além disso, os aplausos podem desencorajar a participação de pessoas em “eventos democráticos” e ferir a sensibilidade dos que não são aplaudidos ou dos que, sendo aplaudidos, são festejados com aplausos mais ténues. Desta forma, proíbem-se gestos comuns e universais em nome de maior “inclusividade” (a palavra arrepia-me). Virá um dia em que talvez a música seja considerada ofensiva, tal como qualquer manifestação de alegria, qualquer desejo de exceção – tudo em nome de qualquer coisa. O mundo transformou-se num lugar estranho.

Francisco José Viegas no seu blog “A Origem das Espécies

Blogs-selfies

Peço desculpa de fazer o papel de advogado do diabo. Tenho-me confrontado com o desinteresse das temáticas de muitos e muitos blogs em diversas plataformas. A ideia presente em muitos deles é de que o seu autor, ou autora, escreve apenas para si próprio: um diário aberto à comunidade. São blogs-selfies. Auto-retratos muitas vezes melancólicos de uma realidade pessoal. Compreendo, por um lado. São pessoas muito jovens que ainda andam à procura do seu lugar na vida, da forma de participar no colectivo social. Por outro lado, lembro-me bem da época, há uns anos, em que surgiram os blogs, cujas abordagens eram muito mais interessantes do que se lê hoje em dia, talvez por estarem voltados para o exterior e não para o interior da pessoa que os escreve. Há tanta coisa no mundo interessante a que prestar atenção, a que criticar ou apoiar — a divulgar –, que é uma perda de tempo voltar todos os dias à conversa centrada nas angústias ou nos sonhos individuais. Isso só interessa ao próprio. Divulgá-lo não acrescenta nada ao valor dos blogs. É verdade que se vive uma época de individualismo, em que quase tudo se centra na pessoa e não no colectivo. A prova disso é a tendência para se andar quase todo o dia com o nariz enfiado nos smartphones lendo ou teclando mensagens, jogando, ou de phones nos ouvidos. Há um desprezo/alheamento pelo que se passa fora do pequeno mundo individual, que por vezes toca a misantropia.

Deprimida

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Ultimamente tenho estado deprimida

e, por ultimamente,

refiro-me

a toda a vida

cxnsadx (via Tumblr)

(Desconheço o nome da autora que tem muito bons poemas no seu blog, acentuados pela tónica do depressivo, da pessoa falhada, aquela que não se merece: «Me odeio», diz ela, algures. Tradução minha, do castelhano)