Os EUA segundo W. Somerset Maugham

Larry foi incorporado, tal como desejava, nesse tumultuoso conglomerado da humanidade, alienado por tantos interesses contraditórios, tão perdido na confusão do mundo, tão sedento de bem, por fora tão arrogante, por dentro tão tímido, tão bondoso, tão cruel, tão confiante e tão desconfiado, tão mesquinho e tão generoso, que é o povo dos Estados Unidos.”

William Somerset Maugham in “O Fio da Navalha”, ASA, 2010

Exercícios de prosa

Tinha quinze anos quando Guida entrou na minha cama sem pedir licença. Estava a ler, tarefa feliz de todas as noites e não esperava novidades na minha vida. Guida atirou o robe para os pés da cama, sorriu-me e já entre lençóis disse-me que um homem não precisava de roupa quando tinha uma mulher na sua cama. Sem intervenção da minha parte, despiu-me o pijama enquanto o livro caía no chão. Tens frio, perguntou. Não respondi. O frio transformara-se rapidamente em calor. Fiquei tenso. A única vez que tinha estado com uma mulher fora em imaginação enquanto me masturbava na casa de banho. O curioso é que mal conhecia a minha prima Guida. Ela teria dezoito anos. Éramos da mesma altura, mas não tínhamos o mesmo descaramento. Está frio, repetiu ela, enquanto o seu braço se movia e a sua mão direita entrava em terrenos proibidos, ali na confluência das minhas coxas, local da sexualíssima trindade. Enquanto desafiava a minha timidez perguntou-me se já tinha estado com uma mulher. Não respondi. 

Onde é que andam as palavras que não as encontro? 

SNS

É um orgulho ser português na União Europeia e ter o SNS que temos e que alguns desejam destruir. Marta Temido & C.ª merecem a nossa admiração. Outros gabarolas e fabricantes de fake news nunca aguentariam nem metade do que este pessoal médico, enfermeiros e auxiliares têm aguentado ao longo deste ano para combater uma pandemia para a qual ninguém estava preparado. Parabéns! E vamos todos tomar a vacina para que possamos voltar, tão logo tenhamos defesas imunitárias suficientes, à nossa vida “normal”.

Amadora

Nasci na Amadora, mas nunca soube ao certo como surgiu este topónimo. Sei que aquelas terras pertenceram a um fidalgo de nome Vasco Porcalho, que viveu no século XIV, tendo fugido para Espanha após a batalha de Aljubarrota, por ser partidário de Castela. Deixou por cá a mulher e a filha. A zona onde ficavam as suas terras (na bifurcação das estradas reais vindas de Lisboa, que levavam a Sintra, por uma via, e a Mafra por outra) começou a ser conhecida por Porcalhota. Há quem diga que o nome vem da filha de Vasco Porcalho, a quem o povo chamava Porcalhota. Assim ficou batizada a povoação.

No início do século XX, em resultado do desenvolvimento da terra, que já possuía linha férrea de Lisboa a Sintra e a outros benefícios, e porque o topónimo Porcalhota não era do agrado das pessoas, sobretudo de uma empreendedora Comissão de Melhoramentos, foi decidido alterar o nome da povoação para Amadora, obtido através de um decreto-lei de 1907.

Porquê Amadora?

Segundo a sabedoria popular, de que foi porta-voz um velho residente na Porcalhota, o nome Amadora resulta de um mau desfecho de amores contrariados. Diz-se que um conceituado filho da terra, chamado Pedro Amoedo Ataíde, se enamorou de sua prima Dora de Ataíde, amor correspondido, mas não aceite pelas famílias. Pedro Ataíde acabou com a vida enforcando-se numa macieira, tendo sido encontrado num dos seus bolsos um papel com as seguintes palavras: “O que os homens não querem, a morte aceita. AMO A DORA!” Daí surgiu o nome AMADORA.