Nuno Bragança

“Nuno Bragança? Não conheço nenhum escritor com esse nome”

Passamos a apresentar: aristocrata da casa de Bragança, descendente do rei D.Pedro II, boxeur, boémio, radical fundador das brigadas revolucionarias, libertador da língua portuguesa, escritor.

(in jornal Observador)

nuno_braganca

Um dia peguei numa caneta, em um tinteiro e em uma folha de papel, e fui sentar-me a uma pequena mesa em um pequeno gabinete, e escrevi no alto da folha e em letras grandes:
U OMÃI QE DAVA PULUS
Depois chupei o rabo da caneta, que sabia a lavado e a polido, e escrevi por baixo e em letras pequenas o seguinte:
U omãi qe dava pulus era 1 omãi qe dava pulus grãdes.
El pulô tantu qe saiu pêlo tôpu.
Isto feito levei o papel ao meu tio Maurício, que estava sempre a ler jornais. O tio Maurício olhou para o meu escrito e foi-se embora com ele sem me dar palavra. Dois dias mais tarde reuniu-se o III ConselhodeFamíliaporcausadoPequeno.

Nuno Bragança, “A Noite e o Riso” in “Obra Completa”, Dom Quixote, 2009

Trailer sobre os meus livros

“A malta da rua dos plátanos” é o primeiro romance de António Garcia Barreto, publicado na sua primeira versão, em 1981, e traduzido para russo em 1983, numa edição de cem mil exemplares.
A história desenrola-se na Rua dos Plátanos, em torno de um grupo de crianças, filhos da classe operária, que divide os seus dias em brincadeiras e aspirações a um futuro melhor.
A “malta” são as crianças sem infância de uma época quase esquecida, decorrida entre o final da década de 40 e o 25 de Abril. Crianças, depois adolescentes e adultos, que do nada fizeram tudo, lutando e construindo o seu próprio futuro. Que das privações erigiram pensamentos e da repressão elevaram sonhos e esperança.
Um romance assente na singela beleza de uma amizade de jogos de peão, abrigados pelos plátanos de uma rua que é o retrato social de uma sociedade e de um país de outros tempos, que, não esqueçamos, ajudaram a edificar o presente.

Ana Monteiro – agência literária