Sugestão de leitura

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“Belo e divertido, é um elegante livro de memórias e meditação – um profundo abalo sísmico.” (The New York Times)

“Muito bem escrito. Uma intensa meditação sobre a mortalidade humana, nem clínica, nem consoladora. Em vez disso, de forma espirituosa e melancólica, Barnes fala com simplicidade sobre o nosso medo mais universal.” (The Washington Post)

(Da contacapa do livro)

Micro estória

Dois amigos, um poeta e o outro bombeiro, reencontraram-se ao fim de algum tempo. Sentaram-se na esplanada de um café rememorando passados. Até que o poeta perguntou com um leve sorriso trocista:
— O que fazer quando tudo arde?
— Apagar o fogo — respondeu o bombeiro com uma certeza inabalável.

© António Garcia Barreto in “Estórias de bolso da lapela

“Deixo sempre alguém fora de mim”

(Decidi partir para Portugal, fui despedir-me
da autoridade local que ficou pasmada. Quando
cheguei a Kristiansund tinha-me esquecido de
ir cumprimentá-la.)

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Deixo sempre alguém fora de mim em mim
no lugar de onde parto
flor que a si mesma se corta no jardim,
olhos pegados no espelho,
sempre a ver-me jovem na cama do quarto.

E a mão direita? Onde deixei essa mão?
Nos teus seios, talvez. Ou na melodia escandinava
em que a vizinha do 2.º andar, deitada ao comprido
no chão,
tentava ouvir o próprio coração
no piano em que eu tocava
– ponte sem sentido
de solidão para solidão
num espelho partido.

José Gomes Ferreira in “Poesia VI”, 2.ª ed., Diabril, Lisboa, 1976
(O poema refere-se ao breve tempo em que José Gomes Ferreira foi cônsul em Kristiansund, na Noruega, e ao seu alheamento poético. Ou andar sempre nas nuvens…)

As girafas

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“Gravada em 1987 pelo arqueólogo francês Christian Dupuy, duas gravuras em tamanho real de girafas foram gravadas na superfície desgastada de um afloramento de arenito no nordeste do Níger. Os animais não podem ser vistos do nível do solo; eles são visíveis apenas subindo na pedra.”
As gravuras terão entre 6000 e 8000 anos.

Ali Duaji

Périplo pelos Bares do Mediterrâneo e Outras HistóriasPériplo pelos Bares do Mediterrâneo e Outras Histórias by Ali Duaji

My rating: 3 of 5 stars

Um livro um tanto decepcionante depois da publicidade do editor. É verdade que quando escreveu o livro, Ali Duaji não se considerava um escritor. Algumas vezes iniciava um estória que depois não acabava. O livro retrata uma viagem de uns amigos por vários cidades em torno do Mar Branco (Mediterrâneo) e a escrita dá-nos a ideia de um diário escrito sem grande atenção no decurso dessa viagem. Resumindo: não é um mau livro, mas não consigo dar-lhe mais de três estrelas. E já é boa vontade. Três estrelas pelo facto de “hoje em dia (ser) considerado o pai da novela tunisina.” Preciso de ler outras obras do autor.

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Livros Lidos

António Garcia Barreto lê “A Malta da Rua dos Plátanos”

Várias vezes premiado e com vasta obra publicada desde os anos 70, António Garcia Barreto deixa aqui uma parcela do seu romance “A Malta da Rua dos Plátanos”.

Nascido na Amadora a 15 de dezembro de 1948, António Garcia Barreto iria licenciar-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas seguiu o destino de muitos da sua geração e esteve na Guerra Colonial em Moçambique. Regressado a Lisboa, passou por diversos papéis em diferentes empresas (funcionário de livraria, técnico de organização e métodos, gestor de Recursos Humanos e diretor de pessoal) e tornou-se colaborador de diversos órgãos de comunicação social – República, Notícias de Lourenço Marques/Maputo, O Diário ou Diário Popular, neste caso participando com mais regularidade na Página Infantil sob a coordenação de José de Lemos. Empenhado na escrita, depois de um prémio de poesia em 1972 seria distinguido, no ano seguinte, como vencedor do concurso de contos que o Diário Popular organizou. O texto ganhador intitulava-se “Tio Jeropiga, Tio Manel Pedreiro, Eu, a Mula Bizarra e Companhia”.

Acabaria por enveredar pela literatura para os mais jovens com obras como “Botão Procura Casa” e “História das Três Janelas” (ambos de 1977), “Na Rua onde Moro” (1981), “O Luxo da Gata Mafalda” (1986), mas também uma série: “Brigada Azul” (publicada entre 2000 e 2002). Pelo meio criara e fora responsável, no Notícias da Amadora, no começo da década de 80, por uma página infantil (Oficina do Tio Lunetas) e também já se dedicara ao romance, como em “A Malta da Rua dos Plátanos” (1981), livro que aqui apresenta, ou “A Cidade dos Lacraus” (1994). Mas também abordara o ensaio com “Literatura para Crianças e Jovens em Portugal” (1998) e “Dicionário de Literatura Infantil Portuguesa” (2002). “Contos do Amor Breve” foi publicado em 2000 e, no mesmo ano, “Rubens e a Companhia do Espanto em O Caso da Mitra Desaparecida” foi agraciado com o Prémio Literário de Sintra – Adolfo Simões Müller, de Literatura Infantojuvenil. De 2005 é o romance “Ensina-me a Namorar” e do ano seguinte a obra “À Sombra das Acácias Vermelhas”. “Ricardo Caiu no Buraco de Ozono” (2008) foi outro título dedicado aos mais jovens e, no mesmo ano, também publicou o romance “A Mulher da Minha Vida”. Em 2010 e 2011 regressou aos romances, respetivamente com “Um Sorriso para a Eternidade” e “O Homem do Buick Azul”. “A Malta da Rua dos Plátanos” foi revisto e reeditado no ano passado.

Book Cover Editora

“Era natural que António tivesse ouvido falar, na fábrica, da preparação de alguma revolta. Os homens é que sabiam dessas coisas das guerras e das revoluções. Por isso iam à tropa”, escreve o autor na obra “A Malta da Rua dos Plátanos”.

Membro da Sociedade Portuguesa de Autores, António Garcia Barreto publica o blog Viagens por Dentro dos Dias que pode ser visto aqui.

(Publicado no blog “Livros LidosLiteratura em Voz Alta a Qualquer Hora“, da responsabilidade de Paulo Pereira)

Jornalismo irrelevante

Quase trinta e um ano depois, o jornalismo tornou-se praticamente irrelevante. Perdeu leitores, perdeu profissionais e perdeu órgãos de informação, substituídos por uma coisa acrítica e facilmente manipulável como são as redes sociais.
(…)
Percebem-se muito bem os motivos pelos quais cada vez menos gente “consome informação jornalística”. Se é para ter acesso a uma réplica do lodo que circula nas redes sociais, mais vale chafurdar directamente na fonte.

Manuel Jorge Marmelo no seu blog “Teatro Anatómico“, de 29/06/2020