Madre

Foste salva in extremis, ou quase, quando bebé de poucos meses te deixaram em casa, sozinha, provavelmente no berço, entretida a chuchar numa boneca de açúcar. Não teria sido por descaso, mas porque era necessário ganhar a vida na faina dura do rio. Em boa hora, todavia, alguém que sabia da tua existência te estendeu a mão, o braço, o peito todo e te acarinhou como merecias. Como merece qualquer criança. E não sendo filha desse casal que substituíu aqueles que te conceberam e geraram a ele te habituaste a chamar pai e mãe. A vida é sempre difícil. Nesse tempo, princípio do século XX, ainda mais.

A Malta da Rua dos Plátanos

A noite que durou até ao 25 de Abril de 1974 tem estórias de vida muito diferentes de hoje. As épocas marcam as pessoas e as pessoas marcam as épocas em que viveram. Estórias de vida desse tempo que durou cerca de 50 anos estão espalhadas por muitos livros. Uma dessas estórias é o enredo de um romance intitulado “A Malta da Rua dos Plátanos“, editado pela Book Cover, do Porto.

Eis aqui uma síntese de apresentação:

A Malta da Rua dos Plátanos é o primeiro romance de António Garcia Barreto, publicado na sua primeira versão, em 1981, e traduzido para russo em 1983, numa edição de cem mil exemplares. A história desenrola-se na Rua dos Plátanos, em torno de um grupo de crianças, filhos da classe operária, que divide os seus dias em brincadeiras e aspirações a um futuro melhor. A “malta” são as crianças sem infância de uma época quase esquecida, decorrida entre o final da década de 40 e o 25 de Abril. Crianças, depois adolescentes e adultos, que do nada fizeram tudo, lutando e construindo o seu próprio futuro. Que das privações erigiram pensamentos e da repressão elevaram sonhos e esperança. Um romance assente na singela beleza de uma amizade de jogos de peão, abrigados pelos plátanos de uma rua que é o retrato social de uma sociedade e de um país de outros tempos, que, não esqueçamos, ajudaram a edificar o presente.

Razões

Os incêndios de Roma são um emblema do princípio do fim do Império Romano, tal como o Terramoto de Lisboa o é de certa forma para o princípio do fim do Antigo Regime.

Rui Tavares in “O Pequeno Livro do Grande Terramoto”, Tinta da China, Lisboa, 2019

Ouvir vozes

Muitas pessoas ouvem vozes quando não há ninguém perto. Algumas delas são chamadas de ‘loucas’ e são trancados em quartos onde ficam olhando para as paredes o dia todo. Outras são chamadas de ‘escritores’ e fazem praticamente a mesma coisa.

Autor desconhecido (Rad Bradbury?)

É Perigoso…

A estória de um homem que foi à procura do seu passado e ficou sem futuro.

Quando Osvaldo Ventura abandonou o seu país, aos dezanove anos, nunca supôs que, quarenta anos depois, o seu passado o chamasse de volta para lhe revelar que a vida verdadeira não foi só a que viveu, mas a que deixou para trás na vila de onde era natural.

Já à venda em formato de papel ou. ebook. Astrolábio Edições

A democracia pode ser uma ditadura

A ditadura da oposição desejosa de ganhar pontos a todo o custo, mesmo numa situação pandémica como a que estamos a atravessar. Tudo serve para denegrir a imagem de quem nos governa, eleito para isso mesmo. A oposição de direita em Portugal é algo que ainda respira ares do fascismo dos quais não se consegue libertar. Esta oposição preferia viver em ditadura fingindo democracia. A Comunicação Social atravessada por muita gente de baixo nível profissional e que só responde à voz do dono, mesmo em órgãos do Estado, é a prova de que mesmo estando na UE continuamos a ser fustigados pelos ecos do passado fascista. Tudo serve para contornar ou dinamitar a realidade, mesmo numa situação em que devíamos estar unidos na diversidade. Há uma grande dificuldade política em Portugal de fazer vida longe da manjedoura pública. Para lá chegarem vale tudo. E quando lá chegam arrasam tudo.