(A Poesia e a Vida saíram do mar)*

Foi aqui,
nas tempestades do Mar da Mancha,
perdida do alarme
do labirinto de palavras cegas
a imaginarem-se rainhas.

Foi aqui,
aos tombos do sol agreste
das bocas noruegas
que tu, Poesia,
finalmente vieste
procurar-me
– vem de novo, vem! –
no suor das palavras verdadeiramente minhas
a quererem tornar-se de ninguém.

José Gomes Ferreira in “Poesia VI”, 2.ª ed., Diabril Editora, 1976

* Em jeito de título e síntese do poema, como era hábito do poeta.

(O poema é uma referência ao tempo em que o autor, ainda jovem, foi cônsul de Portugal, em Kristiansund, Noruega)

18 de janeiro

Encontrei mesmo há instantes, a caminho do Café, uma moeda de cem depositada num banco.
Vou gastá-la agora mesmo. Nunca se deve ficar com o que não nos pertence.

João Luís Barreto Guimarães in “poesia reunida”, Quetzal, 2011