Macau

Em Macau os chineses vão para os jardins passear as suas aves dentro de pequenas gaiolas de bambu, que penduram nos ramos das árvores. Depois sentam-se num banco, ou aproveitam o momento para fazer exercícios físicos de uma elegância notável. O ritmo é lento, semelhante a passos de balé filmados em câmara lenta, aqui e ali intercalado por movimentos enérgicos. Sentados, não deixam de massajar o rosto em movimentos suaves, sobretudo a zona do nariz. Claro que são as pessoas mais velhas que ainda mantêm estes hábitos de lazer conjugados com exercício físico. Mas com Macau transformada na Las Vegas da Ásia, será que todo este ritual não tenderá a desaparecer?

Os patrulheiros da gramática

Há quem não goste de adjectivos. Acham-os um tanto pesados, num tempo de dietas para emagrecer. Outros matam todos os advérbios de modo, como se fossem uma praga. Definitivamente, mortos. Mas importam-se pouco com o à ou á, quando a lei manda que se use há. Há (de haver). Não, há-de haver. Enfim, agora escreve-se (escrevem) há de, sem hífen, porque são a favor da lei, o novo AO. Ou tinha morto, em vez de tinha matado. Mas existem também os patrulheiros da pontuação. Prendam-se já todos os pontos de exclamação. Acabem com os hífens. Fuzilem-se as reticências. Desprezem as maiúsculas, essas letras com a mania das grandezas. Todo o romance sem minúsculas. Já! Fica mais leve, mais airoso, uma mancha toda por igual. A forma para esquecer o conteúdo. Enfim, um tempo de poucas ambições, mas de crescentes patrulhamentos.