Redes comerciais na Idade do Bronze

MinoicoArqueólogos trabalharam com primatologistas para reexaminar pinturas de macacos em um edifício minóico enterrado em cinzas vulcânicas por volta de 1600 aC. no local de Akrotiri, localizado na ilha grega de Thera, no Mar Egeu. Sabe-se que nenhum macaco vivia na Grécia na época. A maioria dos macacos da pintura foi identificada como babuínos de oliveira, nativos do Egito, mas um macaco, com pelo distinto e cauda em forma de S, foi identificado como um langur cinza, uma espécie que vive no Nepal, Butão, e o vale do Indo na Índia.
Já se sabia que os minóicos tinham contato com o Egito. E esse mosaico na parede também indica contatos com a civilização do vale do rio Indo. Ou talvez demonstre a natureza de longo alcance e interligação das redes comerciais, mesmo na Idade do Bronze.
(Fonte)

A biblioteca sem nome

Um dia fui a uma biblioteca onde só havia dois livros. A escolha tornou-se difícil. Um era de física quântica e o outro de filosofia espacial. Não eram livros que me interessassem. Voltei à biblioteca todos os dias na esperança de encontrar outros livros, ou que aqueles dois fossem substituídos. O único empregado que trabalhava na biblioteca, para abrir a porta de manhã e fechá-la à noite, disse-me que não haviam outros livros disponíveis. Aqueles dois tinham saído incólumes de um incêndio que dizimara toda a biblioteca. Apenas aquela sala fora reconstituída.
Fiz saber através da imprensa e das redes sociais o meu desagrado pela situação, que logo recebeu milhares de apoiantes. Então resolvi levar o meu computador para a biblioteca e comecei a escrever um livro sobre a não existência de livros na biblioteca, o desconforto dessa situação inusitada, o prejuízo para a Cultura do país e enumerando uma série de obras que deviam constar nela para fruição e consulta de leitores interessados. Foi um trabalho que demorou alguns meses, pois tinha a minha atividade profissional. No capítulo final dessa simples obra sobre a falta de livros na Biblioteca Sem Nome pedia às pessoas que lá fossem para levarem um dos livros por mim listados, ou outros que entendessem necessários e interessantes. Depois escrevi um email que enviei a amigos e amigos de amigos dando-lhes conta da existência dessa biblioteca singular e aquilo que cada um deles podia fazer por ela.
Ao fim de um ano, a biblioteca tinha mais de dez mil livros, contando já com leitores habituais, que iam enriquecendo o acervo e recomendando-a a novos amigos.
Dois anos depois, ampliada a sala e feitas obras complementares, o presidente do país inaugurou a biblioteca com pompa e circunstância, seguido pelos políticos do costume, a quem agradeceu a valiosa obra em boa hora levada a cabo pelo Governo. Levantando o pano que cobria a placa comemorativa surgiu o novo nome da casa dos livros: Biblioteca Presidente Dom De Lucas y Sotto.
A mim foi-me vedada a entrada por ter sido considerado persona non grata.

Cabeça de Tuba

AcaciasV_300O tenente Coutinho parecia talhado para carranca de brigue. Ou por isso, ou pela fisionomia larga e algo bronca, o certo é que era mais conhecido por Cabeça de Tuba. Um Adamastor sem brilho e sem história que as vicissitudes da vida haviam transformado em oficial menor de um exército moribundo, na véspera de uma retirada definitiva. A bizarria do seu porte e a eficácia do seu gesto assumiam o valor de um arcabuz na guerra moderna. Contava-se que conseguira os galões após vinte anos de tarimba, almoçando feijão com massa em messes fedendo gorduras, remoendo desditas e decorando o código de disciplina militar, vírgula a vírgula, num esforço de meninges assolapadas. Teriam sido anos difíceis, os dessa ascensão lenta mas perseverante, marcando passo ao som de clarins roufenhos tocados por músicos de banda filarmónica desviados da função. Anos a receber ordens sobranceiras de superiores atacados por crises de bílis que sonhavam com campanhas napoleónicas no decurso de digestões difíceis. A seguir a tanto esforço castrense obteve a recompensa de ser subalterno. Isto numa idade em que outros ou eram generais ou já tinham mudado de vida. Era natural que se sentisse oficial de segunda linha, suportando a pedra no sapato, mas não. Pavoneava os galões com o orgulho tosco de quem chegou no fim da jornada e recebeu um prémio de consolação. Mas isso era o menos. O pior é que era um tremendo chato, um manipulador de ódios, fomentando complicações onde só existiam pequenas falhas humanas, destruindo prazeres em nome de um conceito muito próprio de «dever e serviço».

António Garcia Barreto in “À Sombra das Acácias Vermelhas“, Roma Editora, Lisboa

Comboio Alfa Pendular

Tenho viajado com alguma frequência, nos últimos tempos, no comboio Alfa Pendular,índice tanto para o Porto, como para Aveiro ou Coimbra. É uma viagem muito mais descansada, e muito mais em conta, economicamente falando, que fazer quilómetros de autoestrada, marcar passo em filas de trânsito nas grandes cidades, e andar à procura de estacionamento. O Alfa Pendular cumpre normalmente os horários, sendo possível viajar de Faro a Braga, em classe conforto ou turística (1.ª e 2.ª classes). Servem pequenos almoços pagos e/ou bebidas e sandes e bolos durante o trajeto, havendo ainda uma carruagem bar entre a classe conforto e a turística. O pessoal é simpático e as viagens são confortáveis e os lugares apetrechados com tomadas para ligar computadores portáteis, carregar telemóveis, e banqueta de apoio para o portátil ou para escrever. Distribuem ainda, gratuitamente, jornais e revistas. As pessoas com mais de 65 anos têm 50% de desconto. Os comboios andam quase sempre cheios, sendo rápidos (ou seja, não param em estações) em grande parte do percurso. O que já devia ter sido resolvido pela CP, ou pelas Infraestruturas de Portugal, era a velocidade do comboio poder manter-se constante e não, como sucede, ter percursos em que chega a atingir 240, 220, 190 km/hora e outros em que anda na média dos 70, 90 km/hora, ou menos, sendo que algumas vezes quase para devido a seguir na mesma linha um comboio mais lento, urbano ou regional, até que o mesmo alcance uma estação com várias vias. Boa viagem.

Guerra colonial

AcaciasV_300

Aquisição online na Wook

“Quem habita situações como as que estão referidas neste livro habitualmente tarda em publicitá-las, devido à carga emocional que a elas está ligada. Existem sentimentos de humilhação, coisas más que frenam a espontaneidade e necessitam de um tempo decorrido para o esbatimento desejável e libertador. Permite-se, assim, ao leitor a fruição de um testemunho mais distanciado e crítico, porventura mais coerente. António Garcia Barreto é um autor com uma vasta obra publicada na área do romance e literatura infanto-juvenil.” (da contracapa)