Os EUA segundo W. Somerset Maugham

Larry foi incorporado, tal como desejava, nesse tumultuoso conglomerado da humanidade, alienado por tantos interesses contraditórios, tão perdido na confusão do mundo, tão sedento de bem, por fora tão arrogante, por dentro tão tímido, tão bondoso, tão cruel, tão confiante e tão desconfiado, tão mesquinho e tão generoso, que é o povo dos Estados Unidos.”

William Somerset Maugham in “O Fio da Navalha”, ASA, 2010

Exercícios de prosa

Tinha quinze anos quando Guida entrou na minha cama sem pedir licença. Estava a ler, tarefa feliz de todas as noites e não esperava novidades na minha vida. Guida atirou o robe para os pés da cama, sorriu-me e já entre lençóis disse-me que um homem não precisava de roupa quando tinha uma mulher na sua cama. Sem intervenção da minha parte, despiu-me o pijama enquanto o livro caía no chão. Tens frio, perguntou. Não respondi. O frio transformara-se rapidamente em calor. Fiquei tenso. A única vez que tinha estado com uma mulher fora em imaginação enquanto me masturbava na casa de banho. O curioso é que mal conhecia a minha prima Guida. Ela teria dezoito anos. Éramos da mesma altura, mas não tínhamos o mesmo descaramento. Está frio, repetiu ela, enquanto o seu braço se movia e a sua mão direita entrava em terrenos proibidos, ali na confluência das minhas coxas, local da sexualíssima trindade. Enquanto desafiava a minha timidez perguntou-me se já tinha estado com uma mulher. Não respondi. 

Onde é que andam as palavras que não as encontro?