Estórias curtas

Um dia, numa ida ao dentista, a médica que me assistia disse-me que um dos meus dentes do siso, do qual não tinha queixas, estava a babar uma purulência qualquer não visível a olho nu. Só a radiografia à boca revelou a situação. Havia que extrair o dente. Marcámos dia e hora. Lá me apresentei. Sentei-me na cadeira, bochechei a boca e a médica anestesiou-me a zona. Passado pouco começou a extrair o dente do siso. Surge um problema. A médica não tinha força para fazer a extração (situação idêntica ocorreu de outra vez com outra médica com o outro dente do siso). Então a médica chama um colega da sala ao lado, um tipo mastodonte. Mais anestesia. O mastodonte encosta a barrigona à minha cadeira, dá um puxão com o extrator, os meus óculos voam do meu rosto aterrando no colo da médica que estava sentada ao meu lado, e o dente ficou no mesmo sítio, embora já um pouco abalado. Vem outro médico, mais novo, repete o gesto e o dente nem mexeu. É então que a médica se lembra de chamar um colega brasileiro de outra sala (era uma clínica grande, de uma grande companhia), que possuía um extrator feito por ele ou por ele aperfeiçoado. O médico brasileiro apareceu sentou-se ao meu lado, usou o seu extrator com saber e subtileza e extraiu-me o dente com mãozinhas de veludo. Não houve palmas para o médico. Mas todos reconheceram que o seu extrator era uma maravilha. Neste jogo clínico Portugal perdeu 3 – 1 com o Brasil.

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