Madre

Foste salva in extremis, ou quase, quando bebé de poucos meses te deixaram em casa, sozinha, provavelmente no berço, entretida a chuchar numa boneca de açúcar. Não teria sido por descaso, mas porque era necessário ganhar a vida na faina dura do rio. Em boa hora, todavia, alguém que sabia da tua existência te estendeu a mão, o braço, o peito todo e te acarinhou como merecias. Como merece qualquer criança. E não sendo filha desse casal que substituíu aqueles que te conceberam e geraram a ele te habituaste a chamar pai e mãe. A vida é sempre difícil. Nesse tempo, princípio do século XX, ainda mais.