Exercícios de prosa

Tinha quinze anos quando Guida entrou na minha cama sem pedir licença. Estava a ler, tarefa feliz de todas as noites e não esperava novidades na minha vida. Guida atirou o robe para os pés da cama, sorriu-me e já entre lençóis disse-me que um homem não precisava de roupa quando tinha uma mulher na sua cama. Sem intervenção da minha parte, despiu-me o pijama enquanto o livro caía no chão. Tens frio, perguntou. Não respondi. O frio transformara-se rapidamente em calor. Fiquei tenso. A única vez que tinha estado com uma mulher fora em imaginação enquanto me masturbava na casa de banho. O curioso é que mal conhecia a minha prima Guida. Ela teria dezoito anos. Éramos da mesma altura, mas não tínhamos o mesmo descaramento. Está frio, repetiu ela, enquanto o seu braço se movia e a sua mão direita entrava em terrenos proibidos, ali na confluência das minhas coxas, local da sexualíssima trindade. Enquanto desafiava a minha timidez perguntou-me se já tinha estado com uma mulher. Não respondi. 

Onde é que andam as palavras que não as encontro?