A Malta da Rua dos Plátanos

“Quicas cumpriu a sua palavra. Procurou novo emprego em Lisboa. Afeiçoara-se à cidade, ao seu movimento, à sua pequena grandeza, ao delírio das horas de burburinho, aos pregões, às personagens exóticas que calcorreavam o Chiado, aos anúncios luminosos, fontes de luz multicor a escorrer do alto dos prédios. Um mundo completamente estranho ao pulsar da Rua dos Plátanos, um coração gigante a bater no peito do país. Talvez fosse por esses pequenos encantos e desafios que a cidade o seduzia tanto. Comprou o jornal e leu as páginas com ofertas de trabalho de uma ponta a outra. Selecionou dois anúncios que o interessaram, pegou numa caneta e em papel e alinhavou as respostas como melhor lhe pareceu. Não era tarefa fácil, mas desenvencilhou-se.

“António Garcia Barreto in “A Malta da Rua dos Plátanos“, Book Cover Editora, Porto, 2019