Não entendo nada da vida

Não entendo nada da vida. Cada dia que avança entendo menos da vida. Contudo há horas, as horas perdidas – e só essas – que queria tornar a viver e a perder.

Deus, a vida, os grandes problemas, não são os filósofos que os resolvem, são os pobres vivendo. O resto é engenho e mais nada. As coisas belas reduzem-se a meia dúzia: o tecto que me cobre, o lume que me aquece, o pão que como, a estopa e a luz.

Raul Brandão in “Se tivesse de recomeçar a vida”, col. brevíssima portuguesa, 4, 1995 (?)