A voz do búzio

O garoto do cabelo cor-de-mel agachou-se, deixou-se escorregar ao longo do último troço de rochedo e encaminhou-se para a lagoa. Embora tivesse tirado o blusão, parte do seu uniforme escolar, e o arrastasse agora pela mão, a camisa cinzenta colava-se-lhe à pele e o cabelo encodeava-se-lhe na testa. À sua volta, a funda clareira rasgada na selva era um banho de calor. Rompia pesadamente por entre as lianas e os troncos quebrados, quando um pássaro, uma visão de vermelho e amarelo, cintilou numa fuga para o alto com um grito de feitiço. A este grito o eco respondeu com outro.
– Eh! – disse uma voz. – Espera um momento!
O matagal num dos bordos da clareira, agitou-se e uma saraivada de gotas de água caiu com estridor.
– Espera um momento – repetia a voz. – Estou aqui preso.

William Golding, “O Deus das Moscas”, Vega, 1997

 

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