Manipulador de palavras

Hoje as palavras andam devagar dentro de mim
Devem estar cansadas porque nunca lhes dou descanso
Ou ainda não encontraram o trilho certo
para me acenarem um adeus encorajador

É muito difícil trabalhar com as palavras
São amigas inteligentes, velhas como séculos
sábias como os sábios de Alexandria

E eu sou apenas um manipulador de palavras
que as usa e delas abusa sem nunca protestarem
Sabem que são valiosas titulares do saber
Sem elas o que hei-de dizer?
Sem elas o que vou fazer?

© António Garcia Barreto in “O Cio das Manhãs” (obra registada no IGAC)