Carapau de corrida

Pessoa que se julga mais esperta que os outros.

Não existindo, ao que parece, uma origem fidedigna, diz-se que os carapaus sendo peixes rápidos não deixam de ser apanhados nas redes de pesca. Justificação melhor parece ser aquela que liga o carapau à venda em lota. Aqui o peixe é vendido em leilões invertidos, do mais caro para o mais barato. O melhor peixe seria licitado de imediato, sendo mais caro. Para o fim ficava o peixe mais barato, adquirido pelas peixeiras que logo corriam para o vender na vila, ou nos bairros de Lisboa, antes que chegassem as outras peixeiras, tentando vendê-lo ao preço mais elevado. Nem sempre os fregueses iam na conversa, sabendo que aquele era carapau de corrida, de menor qualidade. «Estás armado em carapau de corrida!»

António Garcia Barreto in “O Povo Faz a Língua”, 2020