Dobra de leituras

Acontece muitas vezes andar a ler vários livros ao mesmo tempo. Não é nada do outro mundo. É uma hábito que se adquire facilmente nas faculdades de letras. Nesse tempo muitos livros serviam apenas para consulta de alguns capítulos, passagens, prefácios, etc. Raramente se lia um livro inteiro num curso de História. Não se tratava de ficção, embora, por vezes, também lêssemos ficção para suportar algum trabalho. Lembro-me, por exemplo de algumas narrativas que li de fio a pavio, como se diz, para a cadeira de Sidonismo, no 5.º ano da licenciatura, dadas as referências aos acontecimentos desse ano de 1918.
Vem isto a propósito de, neste momento, distribuir a minha atenção literária por três obras: “O Cânone Ocidental”, de Harold Bloom; “A Saga de Gösta Berling”, de Selma Lagerlöf; e “Operação Shylock”, de Philip Roth. Bloom é para ir relendo. Selma é para ler com calma de forma a absorver aquele “mundo de sonho e fantasia com raízes nas antigas sagas e lendas” da Suécia. Roth é para ler sempre a abrir. É vida mais próxima, contemporânea, em que realidade e ficção se aliam, e que só o talento de um escritor superlativo nos pode proporcionar.