Outono

Agora que o outono começa a abandonar as folhas das árvores, como os pássaros largam as penas em época de mudança de roupa, e o céu se cobre de um cinzento nostálgico, percorro o parque no meu exercício matinal e apenas o brilho de uma chuvinha esparsa substitui o brilho do sol ausente. Mesmo assim há quem esteja sentado a ler um livro, ou quem faça exercícios de manutenção física. Rapazes de telemóvel em punho, o olhar vidrado no ecrã, participam num jogo coletivo enquanto percorrem o parque de alto a baixo. Rolas, pombos, melros, alvéolas e outras avezitas anónimas tomam a refeição da manhã. Para que o dia tenha majestade falta-lhe umas pinceladas de sol e de azul no céu. Talvez amanhã, quem sabe?