Benzidos pela chuva

IMG_2363Quando os homens chegam à obra, por volta das oito horas, ou um pouco antes, está a chover. Trabalhar à chuva numa profissão fisicamente dura, é ainda mais duro. Andam todo o dia dobrados construindo as caixas de cofragem ou colocando painéis pré-fabricados que substituem a madeira em algumas situações. Os homens do ferro montam as suas estruturas sobre mesas toscas de madeira e depois colocam a malha de ferro dentro das cofragens para serem cheias com o cimento que as betoneiras transportarão mais tarde. Se constroem o piso andam dobrados apertando as malhas do ferro que o guindaste elevou e depositou sobre a base de madeira. Continua a chover. Não é uma chuva torrencial. É de molha tolos, como se diz. Mas os operários não são tolos: precisam apenas de fazer o seu trabalho porque tem prazos a cumprir. Melhor sorte tem os pedreiros que elevam as paredes de tijolo já mais protegidos da chuva, mas não das correntes de ar que sopram pelos canais abertos entre as paredes. Quando chegar o meio-dia recolhem-se debaixo de um telheiro e almoçam o que trouxeram de casa. No final, dão uma corrida até ao café mais próximo, tomam uma bica e, provavelmente, cortam-na com aguardente.