Domingo de outono na praia

PraiaEra um belo dia de outono. A praia não perdera ainda o seu encanto dos meses mais quentes, apenas tornara esse encanto mais suave. O sol secara o areal e algumas pessoas deitaram-se na areia, com a roupa que traziam no corpo, aproveitando para receber a bondade daquele calor macio que ajudava a retemperar forças. Era domingo, um dia bom para conviver com a natureza após o almoço. Um casal apanhava seixos; outro passeava os seus cães ao longo da praia. No mar surfistas defrontavam a ondulação forte, que ali não era tarefa para amadores. As ondas morriam no areal em cachoeiras de espuma, que permanecia sobre a areia até à próxima rebentação. Um pai jogava com o filho um jogo de tabuleiro sentados a uma mesa e pareciam felizes. À porta de um restaurante de praia, uma casa antiga erguida em cima de umas palafitas, dois homens com ferros e sacos de rede, à sua ilharga, de apanhadores de polvo, bebiam cerveja. No alto das arribas, pessoas olhavam o mar como se dele esperassem algum sinal. De entre elas, algumas conversavam do que a vida lhes sugeria, outras aproveitavam para uma fotografia tirada com o telemóvel. Cada qual, a seu modo, aproveitava esses momentos de serenidade de modo a recuperar o equilíbrio do corpo e da alma.

Autor: António Garcia Barreto

Um tipo à procura de palavras para escrever frases que falem de coisas inúteis.