O Porto

Mantova, 08-09-2007
VILA MATAS Enrique, writer
© BASSO CANNARSANo Porto, conservada tal como foi inaugurada em Janeiro de 1906, com a sua deslumbrante fachada neogótica, encontra-se a livraria Lello & Irmão, a mais bela livraria do mundo, a catedral da literatura.
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A vida no Porto tem o ritmo antigo dos pés descalços, como diria Pessoa. É uma cidade longínqua, de outro tempo, e os seus habitantes vestem rigorosamente de cinzento e negro.
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Cidade rara entre as raras. Cidade triste e longínqua em que penso frequentemente enquanto recordo o que disse a mãe de Pessoa quando lhe perguntaram se estava ao corrente de que o seu filho começava a ser conhecido em todo o mundo: “Olhe que o Fernando é tão famoso que até já no Porto o conhecem”.

Enrique Vila-Matas, “Da cidade nervosa”, Campo das Letras, Porto, 2006