Regresso ao Porto

EduardoGuerraCarneiroNão é da Invicta que falo, erguida
em granito e azulejos – escrevo, sim,
sobre o discreto ancoradouro, atalaia
avançada no Atlântico. Fulgores
dos cristais aguçam o olhar. Barcas
do Oeste resistem à usura e quebram
as ondas em busca de peixe.
Petingas mais velozes, ao largo
das Berlengas, à compita com a prata
de um mar enluarado. O raio verde
cresce ao pôr-do-sol. Os líquenes
retratam a secura e as capelas
imperfeitas da estalagem estalam
de sal no choro das lagostas.

Eduardo Guerra Carneiro in “Profissão de Fé”, Quetzal, 1990