Outono

florbela-espancaOutono vem em fulvas claridades…
Vamos os dois esp’rá-lo de mãos dadas:
Tu, desfolhando as rosas das estradas,
E eu, escutando o choro das saudades…

Outono vem em doces suavidades…
E a acender fogueiras apagadas
Andam almas no céu, ajoelhadas…
E a terra reza a prece das Trindades.

Choram no bosque os musgos e os fetos
Vogam nos lagos pálidos e quietos,
Como gôndolas d’oiro, as borboletas.

Meu Amor! Meu Amor! Outono vem…
Beija os meus olhos roxos, beija-os bem!
Desfolha essas primeiras violetas!…

Florbela Espanca, «Sessenta Sonetos de Amor»