As mãos e os frutos

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Só as tuas mãos trazem os frutos.
Só elas despem a mágoa
destes olhos, choupos meus,
carregados de sombra e rasos de água.

Só elas são
estrelas penduradas nos meus dedos.
— Ó mãos da minha alma,
flores abertas aos meus segredos.

Eugénio de Andrade, «Poesia e Prosa» (1940-1986), 1.º vol., Círculo de Leitores, 1987