Abel

— ‘Tou, mãe? Como estás?

— Estou bem. E tu?

— Não aguento mais aquele parvo do Abel. Vou pô-lo a andar. Não me deixa sossegada, só faz o que quer, tenho a casa numa balbúrdia constante. Não se comporta como deve ser. Falo com ele e finge que não me ouve.

— Mas foste tu que o escolheste.

— Eu sei, mãe. Mas um cão assim não se aguenta.

— Tenta um namorado. Pelo menos não és obrigada a levá-lo à rua. Ele irá pelo seu próprio pé. E tem outras vantagens. Experimenta.

António Garcia Barreto in «Contos para Usar no Bolso da Camisa”