Passageiro atónito

Entro no comboio e quando dou por mim a olhar para o painel de informação electrónica no interior da carruagem, convocado pela voz anónima da máquina, verifico que estou a viajar no passado, ou seja, no dia anterior. Encolhi os ombros. Desço do comboio e sigo para o metro, que apanho de imediato. Pouco depois, no comboio subterrâneo, uma outra voz gravada anuncia a estação seguinte do metro. Mas o nome da estação escrito no painel é o da estação anterior. E assim continua. Porreiro, pá. Os turistas agradecem a confusão. Pensei: é um dia mau, amanhã será melhor. Os tugas nem sempre andam encostados à corda. Tanto o comboio como o metro iam apinhados de passageiros, sobretudo turistas, como vão sempre. Deve ser esta a excelência de Portugal de que falam os meios de comunicação social e replicam as redes sociais.