Precisam-se leitores. Livros há.

Os livros precisam de leitores. E os leitores precisam de livros. Mas em Portugal o encontro entre ambos não é um acontecimento relevante. Não lemos por diversos motivos, que não escapam a quem se interessa por este assunto. O nosso analfabetismo é histórico, embora se tenha reduzido bastante nas últimas décadas. Mas continuava a ser, em 2016, da ordem dos 5%, uma das maiores taxas da Europa. A verdade é que diminuindo o analfabetismo não significa, como sabemos, que se leia mais e melhor. “Quase 80 por cento da população tem grandes dificuldades em ler e analisar um texto escrito“, lê-se no Público de há uns anos atrás. A percentagem não deve ter descido significativamente. A população idosa não lê, ou lê muito pouco. A juventude mais letrada e com potencial gosto pela leitura procurou nos últimos anos emprego em outros países, tendo nós perdido a possibilidade de ver aproximar-se, em Portugal, o leitor e o livro. Se as escolas fazem alguma coisa a nível de promoção da leitura entre os alunos, nos primeiros anos de escolaridade, a verdade é que à medida que o aluno entra na adolescência o seu foco centra-se no estudo que lhe permita notas altas a pensar num futuro emprego. A concorrência é grande e muitos vão ter de continuar a emigrar, porque essa é a nossa sina, que nenhum governo contraria. Passos Coelho, enquanto primeiro-ministro, incentivou mesmo a fuga de cérebros. Não antevejo grande futuro na área do livro e da leitura. Oxalá a situação mude.