Nos campos de Sines, olhando

imagem22Ruas de clima ameno ardendo em labaredas de cios verdes, as setas são fios invisíveis no Ocaso      no Alentejo vive o distúrbio do vento açoitando a matriz das raízes.

O silêncio é o muro que separa as cores da violência, da esperança que não se afoita só o estrume das algas trazidas do mar tem um perfume amargo e rasga os lados da aurora      no Alentejo das mágoas roxas.

Buh! A aragem sabe a mel salpicado de lama. Ouve-se o quê? Um tumulto de provérbio? Um eco de ervas na noite sarracena?

Nascimento ou morte    no Alentejo se ergue a ironia dos homens com dois gritos de clima: o Sol que nasce, as crinas da Lua numa tela de Dórdio a esperança que teima em acender um riso à madrugada.

Antunes da Silva in «Rio Degebe», Prelo Editora, 1973