Roubar já não se chama roubar

“Roubar já não se chama roubar. Este homem que comanda uma frota da Baía a Tunis, é um financeiro e um poeta. Faz a fome e a fartura. Arruina um povo – e enriquece. Uma revolução, dois, três navios vão pelos ares… Mais negócio, melhor negócio. Este médico, este advogado, este honrado comerciante, exploram-te. Enriquecem. Desçamos na escala: ali à esquina levam-te a carteira com um nota de dez mil réis. A isto é que se chama roubar.”

RAUL BRANDÃO, “HÚMUS”, 1917 (1.ª ed.)