Se a Cultura não vive, murcha

Os contos não vendem, a poesia não vende, dizem os editores. Oa romances parece que também vendem pouco, a crer nos saldos nos hipermercados de livros de autores consagrados cuja primeira edição se arrastou anos seguidos. O que se vende são livros almoçadeiras, livros floreiras, livros sobre cães e gatos, de auto ajuda, livros sobre a bola que rola, vidas de actores simplex e de jogadores de futebol, que fizeram qualquer coisa que deixa a babar o leitor inculto e despreparado. É claro que os editores podiam e deviam fazer muito mais pelo livro. Mas temem pelo negócio, seguem as tendências do mercado. O Estado escondeu a Cultura num palacete atribuiu-lhe um curador manga de alpaca, sem verba, e atafulhado em papéis e subsídios. As escolas também se preocupam pouco com o estímulo à leitura. Não é de agora. Mas o livro enfrenta hoje uma concorrência difícil de combater: os smartphones que todo o jovem tem, usa e abusa. Para ler? Não. Para jogar, e enviar mensagens aos colegas e amigos, e ver vídeos no YouTube.

Falo do livro, mas podia falar do cinema, da música, do teatro, do interesse pelo conhecimento do acervo dos museus, pelas artes em geral. Se a Cultura não vive, murcha.