Eleições e sociedade

Não vou perder muito tempo a falar naquilo que enche as páginas dos jornais, hoje. O resultado das eleições no Brasil são o esperado. Pode definir-se com uma frase popular: “Quanto mais me bates, mais gosto de ti”. Mais tarde ou mais cedo, se não nos acautelarmos, até porque há sinais evidentes, o mesmo sucederá na Europa, com diferenças de pormenor. Os partidos tradicionais estão esgotados. Não têm estratégias para o século XXI. Toda a sua teoria vem do século XIX, com algumas alterações pontuais. Não conseguem adaptar-se às mudanças havidas num mundo globalizado, que os avanços da técnica e da informação alteraram completamente, até porque são constituídos, na sua maioria, por gente acima dos quarenta anos. A juventude desinteressou-se da política. Já não há ideologia nem ética, apenas dinheiro e interesses. Não acredita em políticos que a toda a hora surgem como corruptos e incapazes. E está focada na procura de emprego, na comunicação global e na sociedade do espectáculo. É mal paga e não tem muitas oportunidades de ver a vida alterar-se na situação política actual. Desconhecem o que foi o fascismo, as grandes guerras, a guerra de Espanha, etc., e procuram quem prometa que as coisas vão mudar, mesmo que a promessa seja mentirosa. Querem ordem e linhas de vida bem definidas. O mundo já passou por situações idênticas. A questão é que a juventude não viveu essas situações e está focada noutras questões. Quem ganha com isso é a extrema-direita, que espera a sua oportunidade, quando tudo à volta estiver queimado. Ou quase.