Vocação cultural

Se fizermos uma busca na Wikipédia, em português, constataremos facilmente que a esmagadora maioria dos artigos são escritos por brasileiros. Muitas vezes, os brasileiros dão-se ao trabalho de referir os títulos de livros, ou de filmes, estrangeiros, com as traduções existentes em Portugal e no Brasil. Confesso que eu apenas escrevi um artigo na Wikipédia. Também não sou exemplo. Mas a verdade é que havendo tanta gente com disponibilidade de tempo e com saber acumulado (estou a lembrar-me de professores universitários, e. g.) poderíamos fazer muito mais pelas nossas coisas e com melhor conhecimento de causa. Falta-nos vontade. Se for para dizer umas pilhérias e fazer ou copiar umas críticas no Facebook, aí já é mais fácil contarem connosco. Até mesmo jovens com conhecimentos específicos na área do desporto que praticam, ou de que gostam, e de informática, poderiam dar a sua contribuição na Wikipédia, ou através de outro suporte, como os blogs.

No campo específico da literatura (ou saúde, ou história, ou arte, etc.), se pretendo conhecer alguma coisa e procuro na Internet, a maioria das respostas encontro-as em sites brasileiros, espanhóis ou de língua inglesa ou francesa. Em português europeu é melhor esquecer. Perdemos vocação cultural, ou talvez nunca a tivéssemos tido em quantidade e dinâmica suficiente para nos congratularmos com o nosso trabalho. É pena.