As ameaças à Cultura

O que aconteceu ao Museu Nacional do Rio de Janeiro é um facto irremediável, mas demasiado triste para se poder descartá-lo de ânimo leve. Aquele acervo nacional do Rio de Janeiro, sendo brasileiro não era só do Brasil. Pela sua importância, pelas suas peças, fazia parte do acervo histórico mundial, do acervo da nossa história humana colectiva. Era uma casa de estudo, porque era um museu de história natural.

Reflectindo sobre a infausta ocorrência sou levado a pensar na probabilidade de ocorrer um incidente semelhante com os nossos museus, qualquer deles, e estou a lembrar-me do Museu Nacional de Arte Antiga, do Museu Grão Vasco, em Viseu, etc. Tantos e tantos outros que em Portugal vivem com o desprezo com que o Estado trata em geral a Cultura, que vive com as migalhas do OE. Sabemos da falta de pessoal, da falta de catálogos, da falta de incentivos na área da Cultura, sem o desenvolvimento da qual a vida humana será muito mais difícil e infeliz. A Cultura ajuda-nos a viver melhor. Tratá-la mal, abandoná-la à sua sorte, é tratar mal os cidadãos, é tratar mal todos nós.