Ensina-me a Namorar: entrada

“E-mail 1
A HISTÓRIA EM QUE ME METESTE (I)

Caro Sérgio,

O dia ainda andava de gatas e já me pesava que nem laje sobre campa de defunto. Era segunda-feira de manhã, uma daquelas manhãs solteiras que nos explode na cabeça após uma noite mal dormida. Acordei com uma náusea profunda pelo excesso de tabaco e de bebida da véspera. Contei dez bocejos seguidos e depois desisti do processo. Não ia parar tão depressa de abrir a boca e de esfregar os olhos para acordar e sentir-me vivo. Mais uma vez prometi a mim próprio não abusar da bebida aos fins-de-semana e cortar de imediato nos cha­rutos. Há momentos na vida que exigem decisões que nunca se tomam.
Mas vamos ao que interessa. Julieta apareceu no escritório para falar comigo. Não a conhecia. Disse que fostes tu quem lhe indicou o meu nome e a morada do escritório. Foi esse o seu cartão-de-visita. Vinha acompanhada pela sobrinha, Eduarda de seu nome, «mas todos a tratam por Eduardinha», assim a apresentou com uma voz suave e educada. Teresa Grande não as recebeu com a solicitude atenta e diligente que tem por hábito e[…]”

Excerto de: António Garcia Barreto. “Ensina-me a Namorar”. iBooks.