Civilização decadente

Uma rápida passagem pelos escaparates das livrarias online (mas não só) mostra-nos como a ficção literária está em decadência. Talvez mesmo moribunda. Aos poucos os livros estão a transformar-se em objectos de supermercado, com títulos estapafúrdios (e.g. “A arte subtil de saber dizer que se f*da”, ou “Papinhas da Xica”, etc.), deixando claro o tipo de civilização que enforma este primeiro quartel do século XXI.

O cinema, quase todo ele série B americana, é a continuação do problema, noutro formato. Thrillers, carros pelo ar, maluqueiras, armas em todo o lado e em todas as mãos. O teatro arrasta-se, mais por empenho de actores verdadeiros amantes da arte, que pelo interesse do público. As selfies, o triunfo do individualismo e do narcisismo. E a mais importante descoberta das últimas décadas, a engrenagem empresarial que conseguiu que o cliente pague o produto, carregue-o no seu carro, arrume os tarecos, meta combustível no seu automóvel e vá pagar à caixa, etc. Além disso, deve pagar os impostos a que os ricos se escusam através de engenharias financeiras.

A escola, em Portugal, não tem programa. Tem programas que mudam todos os anos ao longo das últimas quatro décadas. Não há respeito entre professores e alunos, as famílias estão desestruturadas, não comunicam, não exigem responsabilidade aos filhos. A questão do livro escolar é a outra face da mesma moeda.

A Justiça não resolve nada, mas finge que resolve. Empurra os problemas com a barriga.

Dizer o quê, esperar o quê? Vivemos numa civilização decadente que enche a boca de grandes feitos e realizações e todos os dias demonstra o seu contrário.