Tempo presente

O mundo está perigoso. Individualmente perigoso, mais do que coletivamente. Há gente que anda com pelourinhos portáteis a ver quem há de pendurar lá e apedrejar. São pessoas de grande virtude, à semelhança da virtude que os familiares do Santo Ofício espalhavam nos locais onde o seu braço «piedoso» chegava e chegava muito longe. O mundo está perigoso, sim. E esse perigo descobre-se nas pequenas coisas da vida, não nas grandes, alimentado por um certo justicialismo e puritanismo que alastra um pouco por todo o lado. As minorias ganham estatuto de maioria, e esta recua aparentemente surpreendida. É assim como se uma pessoa governasse com 5% de votos os outros 95% que votaram diferente, ou se alhearam da votação. As estrelas da sociedade, hoje, são o lixo cósmico de ontem. Mas ditam leis. Ou pretendem estabelecer o normativo da ética.