Excesso de turismo, mau turismo

Esta semana fui a Sintra e senti-me estrangeiro. Mal me conseguia mexer no meio de bolsas de turistas que ocupavam a largura das ruas atrás do cicerone. Não há lugar para se estacionar um carro, as lojas mais conhecidas e divulgadas nos roteiros turísticos estão à cunha e os turistas ainda fazem fila para entrar. Na Volta do Duche concentram-se vendedores ambulantes de bugigangas que só interessam (se interessarem, aos turistas). É difícil ouvir uma palavra em português. Obviamente, há quem lucre com todo este esplendor turístico: algum comércio, o Município. Mas à semelhança de tantos outros lugares do mundo, que eu conheço, invadidos pelo turismo demolidor da classe-média-baixa, e que já começam a moderar a entrada de turistas para que a sua identidade, o património, e o bem-estar dos seus munícipes não se degrade totalmente, também por cá será necessário encontrar soluções que, sem afastar o turismo, o regule e controle, sob pena de se descaracterizar os lugares. Note-se: não sou contra o turismo, nada disso. Mas o excesso descontrolado prejudica os cidadãos nacionais, embora engorde a fazenda pública e os municípios “invadidos”, não significando tal que o lucro apurado seja depois empregado em benefício do cidadão nacional. Porventura, será empregado em criar mais condições para atrair turistas. Em Portugal nós sabemos como são os nossos gestores públicos.