Um país à medida dos seus cidadãos

Os empregados da empresa de transporte levaram os móveis para o andar e quando desceram, no fim, em vez de colocarem os cartões dentro da tulha destinada a esse fim, encostaram-lhe os cartões (bastava só levantar a tampa e havia espaço na tulha). Veio o carro da Câmara para esvaziar a tulha do cartão, esvaziou, mas o funcionário não pegou nos cartões que estavam de fora da tulha. Ficaram no mesmo sítio. Aquilo não era com ele. Veio uma ventania brava e os cartões começaram a ser espalhados por todo o lado, indo parar em cima dos jardins públicos, passeios, arruamentos, entradas de prédios. No dia seguinte vieram dois cantoneiros da limpeza na sua tarefa habitual, mas não levaram os cartões nem os depositaram na tulha respectiva. Aquilo não era com eles. O cidadão fica à espera que venha uma nova ventania e leve os cartões para outro lado. É claro que o cidadão podia pegar nos cartões e enfiá-los na tulha, mas esse não é o seu trabalho. É por isso que paga à Câmara uma verba mensal para resíduos sólidos. Eis um país à medida dos seus cidadãos.