Fim de semana

Estirado na areia, a olhar o azul,

ainda me treme o parvalhão do corpo,

do que houve que fazer para ganhar o nosso,

do que houve que esburgar para limpar o osso,

do que houve que descer para alcançar o céu,

já não digo esse de Vossa Reverência,

mas este onde estou, de azul e areia,

para onde, aos milhares, nos abalançamos,

como quem, às pressas, o corpo semeia.

 

Alexandre O’Neill